Um ano que tanto me ensinou e
tanto me fez feliz. Olhar para o pretérito não é mais sinónimo de
arrependimento, mas sim de reflexão. Um sinal de como os erros que outrora
angustiaram a minha alma e cortaram a respiração ao meu coração, hoje me dão
uma força incrível para vencer. 2017 foi um ano marcante, um ano diferente. Um
ano que tornou um país estrangeiro num lar, que me deu uma família de amigos em
cada canto do mundo, que virou viagens rotinas mensais, que tanto me fez
aprender sobre quem eu sou, e que tanto me fez apaixonar por cada pedaço da
terra e cada pedaço de vida. Quem diria que um ano que logo nos primeiros dias me
ofereceu uma das piores deceções da minha vida, me poderia oferecer tanto
sentimento bom ao longo do ano. Contudo, 2017, também me ensinou a não confiar
no amor. Mais uma vez. Após todas as minhas tentativas falhadas de tentar
amolecer o meu órgão cardíaco que era de pedra, a conclusão que retiro é sempre
a mesma - Nada como poder controlar a dor que os outros me podem infligir. Já chegam
todas aquelas batalhas com que o destino nos pode surpreender e que nos é
impossível controlar, para quê nutrir cores e formas pelo príncipe que
idealizamos no nosso conto de fadas e que de um dia para o outro se transforma
em sapo e nos tira o chão? Já não confio na verdade. Na lealdade. Na
fidelidade. Parece que nos dias de hoje o jogo se tornou em quem consegue
enganar mais, quando o meu maior valor é a verdade. Então que esqueçamos o amor
que nos atormenta e joguemos o jogo desprovidos de qualquer “nós”, mantendo
assim intacto aquilo que somos e aquilo em que acreditamos. Que aprendamos a
viver num Mundo onde se pratica a omissão, e que em tudo o resto que não
relações amorosas, lutemos com tudo aquilo em que temos fé e até com o mais
pequenino “nós” que temos dentro de nós. Que aprendamos a viver felizes num
Mundo em que acreditamos existir Amor, mas não acreditamos que valha a pena
lutar por ele.
Como é que cheguei a este lugar?
Onde é que ficou a mulher independente que comandava a vida e os sonhos? Desde
quando é que ter alguém para partilhar os desgostos e felicidades se tornou em
algo tão importante? Não me reconheço…desde que te conheci. Desde que as
crianças começaram a criar interesse, desde que os detalhes do que não é dito
começaram a fazer mais sentido do que aquilo que é proferido, desde que me
tornei tão emocional.
Acho que quis demasiado que
fosses o amor da minha vida, quando tu nem a certeza tiveste de me querer na
tua vida. Mentiria se dissesse que não é incompreensível, mas também me
ensinaste que nem sempre vai ser perceptível ou aceitável, vou ter sempre de
aprender a viver com as dúvidas. Mentiria se dissesse que não me magoaste…Como
teria sido possível não ter ficado destroçada e com a alma estilhaçada quando
um amigo que queria a meu lado para sempre me trata como se eu fosse alguém no
mundo igual a todos os outros que respiram lá fora? Foi difícil. Mentiria se
dissesse o contrário.
Confiar na vida e acreditar que
ela reserva algo mais. Confiar na vida e acreditar que aquilo que desejo vai chegar,
e que ao seu tempo os meus telhados deixam de ser de vidro, tornando-me novamente
no tornado que leva tudo à frente, na rosa com espinhos, e no luar que não
precisou de estrelas para ser o mais bonito.
Sempre pensei que fosse de pedra, que fosse um tornado que levava tudo à frente. Sempre estive enganada. Não aprendi com as maiores feridas que me causaram...e permiti que outros causassem as mesmas feridas pelas mesmas razões. Tenho o coração partido. E acho que cicatrizando-o, não aguento parti-lo novamente....
Uma dor já cicatrizada...
Sempre defendi que a dor é a
culpada da aprendizagem e do crescimento. Sempre me defendi melhor quando tudo
desaba aos meus pés da pior maneira possível, do que quando o chão começa a
ceder e o tentam apaziguar. A melhor maneira de me perderem sempre foi quebrarem-me
em pedaços, e o curioso, é que isso também foi sempre a melhor maneira de me
ganharem. E infelizmente, tu sempre soubeste como gerir o querer que tu
ficasses, por muito que houvessem sinais que me diziam que eu não te queria na
minha vida. Nunca pensei que pudesse gostar tão genuinamente de ti, que me
pudesse habituar a esse teu jeito tão torto de andar, a essas maneiras tão tuas
que ao início eram tudo menos o meu predilecto, que era com todo o carinho que
te tentava proteger e te queria como alguém em que confiaria sempre na minha
vida. Não me interpretes mal, nunca te vi como aquele que eu queria ao meu lado
para sempre como num conto de fadas, e é por isso que éramos amigos….Por muito
que fôssemos mais que isso. Mas a verdade é que numa coisa a culpa foi apenas
minha – Confiar em ti como uma criança. Uma criança que descurou todos os
sinais, que quebrou todas as regras próprias, que pôs a conversa sempre como
meio para aperfeiçoar pontos que não gostava, que agiu sempre da maneira que
considerava a mais correcta, uma criança que sempre teve medo de te magoar. E
para quê? Para nem me dizeres adeus, quando disseste adeus ao nosso Portugal?
Fiquei de rastos. Pedi-te a verdade do “não ter tempo” a menos de uma semana de
ires, e tudo o que me deste foi silêncio. Foi uma semana infernal…Desde a
incompreensão da atitude de quem julgava um bom amigo, até à viagem para o
outro lado da vida de uma amiga canídea, e essa sim, uma verdadeira amiga. No fim dessa semana, pedi-te de novo a verdade em tom de revolta pela ignorância que
silenciosamente me ofereceste, e tudo o que me deste foram mentiras. Mentiras
que fingi acreditar, por a guerra não merecer ser lutada. Ao olhar para “nós”
só vejo lembranças. E há tantas boas…Que só me tornam mais fria, mais cautelosa
com quem deixarei partilhar risos e sorrisos. E mais que isso, que me fazem
questionar se quererei mesmo confiar naqueles que me rodeiam…
Espero que desta vez cresças mesmo. A vida não pára e segue sempre em frente, e tem tudo para dar certo. Dá o máximo pelos teus objectivos, o resto não passa disso mesmo, o resto. Memórias boas todos os têm, concentra-te em lutar pelas próximas que serão muito melhores. Tu és um furacão que leva tudo à frente, nunca deixes que te tirem isso.
Às vezes é o motivo de tudo
existir que desaparece, quando devia ser eu a desaparecer. A fugir para não me
esquecer do porquê de ter começado. Um tempo só meu para não me perder daquilo
que quero, conseguindo pôr tudo no seu lugar. Mas a verdade é, vivemos para
quê? E é nesse momento, quando profiro tais perguntas a rabiscos pretos e sem
alma, que sei que estou desiludida. Desiludida com tudo o que a vida me pode
dar…até mesmo depois do meu maior esforço para o alcançar. Desiludida por ter
feito tudo diferente e acabar com a mesma meta de sempre. Desiludida com o que
acontece, e desiludida com o que posso chegar a não conseguir por me ter
preocupado mais com o órgão cardíaco do que com o que realmente devia. E é
desta que desisto, ou é desta que desistem por mim? Fui tornando os meus
telhados de pedra que tanto tempo levaram a construir em telhados de vidro, mas
sei que vou conseguir ultrapassar isto facilmente. Sei que a dor é de não
saber. Sempre arrisquei na verdade. Sempre prometi a verdade. E foi sempre só
isso que pedi…a verdade. Mas o que me dão sempre é o “não saber”. Por isso, vou
pegar nas forças de que sou feita e concentrar-me em mim. O que acabar acaba,
porque o valor que quem me tem ganha não existe por aí em abundância. Quem não
conseguir lidar comigo, não merece fazer parte da minha vida.
Nunca me prendo
Nunca me prendo por quem me dá os bons dias, mas não faz o
dia ser realmente bom. Não sei ver os meios-termos. Não sei compreender tudo
aquilo que não chega a ser nem a não ser. Gosto de certezas. Pessoas que sabem bem
aquilo que não querem, de todo, que faça parte das suas vidas. Gosto de
mudanças incertas em caminhos certos. A autenticidade e a vontade movem tudo, e
o que não há para mover, é falta de vontade. Não há impossíveis quando tudo o
que temos é um órgão cardíaco aberto e a incontrolável vontade de tudo ser. E
gosto de pessoas que dão tudo. Que se batem e debatem até já não existir mais
sangue para ser derramado, mais lutas para serem travadas, mais segredos para
descobrir, mais cores e formas para inventar, mais sensações que valham a pena
viver. Gosto de ser um poço de alegria. Quanto mais se desce, mais alegria se
descobre….Porque a melhor arma para qualquer luta sempre foi a alegria. Sempre
foi a satisfação que lutei para conquistar. Quem vive satisfeito, vive a querer
sempre mais. Vive disposto a procurar a melhor flor de qualquer um dos jardins
mais bonitos neste Mundo, não se importando sequer a quantidade de vezes em que
se poderá picar. Meios-termos são a ausência de emoção. Nem causa ódio, nem
causa amor…só não causa nada. E não originar nada é não ser diferente. Eu gosto
de ser diferente. Gosto do mistério de ninguém saber quem sou senão eu. Gosto
de corações de pedra que amolecem o meu coração que ainda mais de pedra é.
Gosto de quem está nos meus dias porque quer fazer a diferença. De quem vê a
minha felicidade como uma prioridade. De quem se interessa e sabe que perder-me é a pior opção. Nunca me
prendo por quem me dá a boa noite, mas não faz questão de descobrir se o dia me
trouxe tudo aquilo que esperava.
Dias negros
Será frieza ou será que só
tropeço em tudo aquilo que não quero para mim? Será medo de virar às costas e
arrepender-me por o fazer de cabeça quente? Não consigo parar de pensar que
estava melhor sozinha. Só os começos me despertam formas cor-de-rosa. Só a
novidade é que me atraí e me faz entusiasmar por correr o Mundo inteiro. Para
quê estar mal com tudo, se posso estar bem somente com o que me provoca
felicidade na vida? Estou cansada de tentar mudar todos os pormenores que não
compreendo à realidade que adoro. Cansada de conversar para tudo ficar como o
que aceito que esteja na minha vida, quando isso parece não valer nada para
quem devia valer tudo. Será muito tempo com a mesma rotina? A minha prioridade
está definida há muito tempo, e tudo o que a prejudicar tem de ser erradicado.
Eu sei que a vida corre em círculos, e para existirem fases boas também se têm
de fazer sentir as más, mas sorrir tem de ser cânone, afinal, só perde quem não
me tiver na vida.
Estive sempre errada. Nunca foste tu o único capaz de me fazer sorrir só por estar a meu lado, tu apenas soubeste quebrar todas as minhas barreiras de protecção para que eu te deixasse viver no meu mundo. Permitiste-me abandonar toda a solidão com que eu sempre gostei de viver. Conseguiste-me tornar menos dependente de mim, e mais que isso, conquistaste um lugar na minha vida. Mas nunca foi de ti que, especificamente, sempre precisei. Nunca foste tu o único a saber como me tirar o sabor amargo e a frieza e a transformá-los em formas e cores que nunca acreditei existirem. Ou melhor, que nunca acreditei que valesse a pena viver por eles. Era apenas de uma pessoa que me fizesse sentir como tu me fazias sentir que eu precisava. A vontade incontrolável de acordar de manhã e o pesadelo incontornável de ter de me deitar à noite. Às vezes só queria o tempo todo do mundo para estar a teu lado. Olhar nos teus olhos e sorrir no teu sorriso e parecia que o tempo nem tempo era, visto que sempre que chegava ao fim do dia ainda havia tanto para vivermos. Sentir que sentias que me tinhas para tudo. Mas enganei-me. Enganei-me quando pensei que nunca conseguiria sentir-me tão feliz ao lado de outra pessoa, enganei-me quanto pensei que nunca iria encontrar ninguém como tu. E enganei-me por que quando te fechei a porta da minha vida e me agarrei de novo à solidão, senti falta do que trazias à minha existência, e achei que só tu mo conseguirias dar. Agora, distante de toda essa realidade, consigo perceber que tu nunca conseguiste oferecer-me algo que movesse tanto mundos e marés como eu pensava. Conseguiste-me fazer sorrir de uma maneira tão bonita que apaixonava todo o indivíduo que visse, mas nunca me conseguiste arrepiar tão fogosamente que nem na alma nem nos ossos parasse de o sentir. Nunca consegui encontrar ninguém igual a ti, mas encontrei alguém que me fez conhecer tantos e mais sabores que tu. Tu nunca foste o “tal”. Estive sempre errada.
Não sei por onde começar. Por onde é suposto começar quando te queria dizer tudo aquilo que nunca te disse e que hoje só me sabe destruir? Sempre me fiz de forte. Mas sabes, a verdade é que nunca o fui quando eras tu em questão. Sempre achei que eras só mais um e que nunca me conseguirias apaixonar pela vida, mas até então nunca fui tão feliz como numa semana a teu lado. Sei que o mesmo não podes dizer de mim, sei que sempre me portei mal contigo, sempre achei que eu comandava a vida, o sonho, o amor, e qualquer atitude ou palavra que tivesses sobre como eu poderia gostar de ti implicava eu mostrar-te que na minha vida só haveria sempre espaço para mim. E foi por isso que te expulsei da minha vida sem ter qualquer ideia do quanto gostava de ti, mas sabendo enormemente a dor que carregava a meu peito por não te ter comigo a todos os instantes. E agarrei nessa dor e tornei-me mais forte. Não sei se foram dias, noites ou madrugadas a esperar que fosse tudo um sonho e em que acabei por fazer do ginásio a minha terapia. Superei tudo e tornei-me tua amiga de novo. Renasci e sustentei-me sempre na ideia de que nunca mais estaria contigo, porque queria que o que acabasse na minha vida acabasse de vez. Até que decidi que não precisava de ti na minha vida. Não queria que fizesses parte dela. Expulsei-te com a minha melhor arma: o silêncio. E tu, silenciosamente, foste saindo. Aprendi a conviver diariamente contigo sem te oferecer mais que um “Bom dia” ou um “Até amanhã”. Até me esquecer de ti. Ou pelo menos, não me lembrar. E resultou. Era com alegria que seguia os meus dias com uma ferida na alma que não sangrava mais. Só que após três meses sem te ver, encontrei-te numa coincidência da vida. Encontrei-te em várias coincidências da vida, e percebi que nunca encontrei ninguém como tu. Entendi que eu, a pessoa mais fria que conheço, só queria uma oportunidade para saber o que resultaria se desta vez não fosse sempre eu em primeiro lugar. Afinal de contas, o que me fez expulsar da minha vida alguém que só por estar a meu lado me tornava tão feliz? A ferida voltou a sangrar. A alma voltou a lacrimejar. Tudo voltou ao mesmo, excepto tu, que já encontraste o amor da tua vida. E o que mais me custa, é que eu tenho medo de nunca encontrar alguém que me apaixone mais pela vida do que tu. Pela primeira vez eu escrevo e sublinho, tenho um medo e tenho um espaço no coração por preencher, e tu já tens o teu preenchido. Mais de um ano depois, continuo sentada entre as minhas quatro paredes a escrever enquanto respiro entre choros e respirações contidas sobre tudo aquilo que não chegámos a ser. Se pudesse trocava tudo para poder tentar de novo. Trocava os corpos que conheci a seguir ao teu, trocava os beijos que nunca me souberam tirar a respiração como o teu, voltava atrás até ao primeiro dia em que te conheci e em que ainda julgavas que o amor da tua vida estava a teu lado e era outro. Esta é uma ferida que vou levar para toda a vida. Espero encontrar alguém que me faça tão feliz como tu fazias só por sorrir nos meus olhos. Espero encontrar alguém como tu. E espero, mas espero mesmo, que sejas feliz. Afinal “o tarde demais” existe. Este é o nosso.
O pretérito ainda chama por mim...
"Não, não me apaixonei assim que te vi. Não, não fiquei irracional após o primeiro beijo. Não, não quis namorar contigo depois de uns quantos excelentes encontros com uns quantos excelentes carinhos. Mas quis a tua companhia assim que ouvi a tua voz pela primeira vez ao telemóvel, quis a tua amizade assim que me fizeste rir até chorar na primeira vez que fui a tua casa, quis mais noites depois daquela primeira noite."
para amanhã: Feliz Aniversário
Mais um ano. Acrescenta um número, mas à vida, não acrescenta nada. Como foi esta etapa com momentos tão importantes? Foste feliz? És feliz? Quero que me contes. Desde os pormenores mais sentidos às grandiosidades mais insignificantes…Quero que me contes todo este ano em que decidi deixar-te por mera racionalidade de quem não sabe o que é e tem dúvidas sobre o que quer ser. Lembras-te do meu sorriso no teu sorriso? Nunca te disse, mas sempre me soube melhor que o meu sorriso na tua ausência. E da minha pele na tua pele? E do querer sempre o melhor para ti quando o que nunca quis para mim foi emoção a comandar a racionalidade? Mas há ideias e ideais que não alteram, e querer alguém continua a não ser um objectivo. Sempre disse que não estava pronta para entregar as minhas fragilidades a alguém que as pudesse atirar ao mar. Sempre quis viver o dia como se fosse o último. Ser livre. Possuir asas para voar sempre que quiser, partir sem caminho de ida nem volta e não ter ninguém à espera ou para dar justificações. E é por isto que nunca conseguiria “ser” nada contigo. Ser tua amiga seria sempre muito menos do que aquilo que poderíamos ser, e ser mais que tua amiga seria sempre algo para o qual não estava preparada…entregar-te toda a minha vida e saber que a podias enegrecer de um momento para o outro, e ter de viver sempre como se nunca o fosses fazer… Não adianta arranjar outro “vamos ser” porque eu gosto demasiado de ti para banalizar o que quer que seja. Sempre me preocupei contigo, e mesmo que não saibas, eu estive sempre aqui para ti. Lembras-te quando a água caía sobre os nossos corpos despidos de preconceitos e te rias abraçado a mim? Sempre me senti segura. E lembras-te do beijinho na testa? Sempre foi o que mais me custou. Não custou por simbolizar o fim, mas por o fim ser o que eu menos queria e ali, mesmo à minha frente, ter a prova que também não era o que procuravas. Mas chega de vocábulos para tentar dizer o porquê de te ter perdido da minha caminhada, (ou de me ter ido embora da tua), chega de recordar memórias que nunca serão mais que lembranças cravada numa pele amargurada que não esquece, chega de proferir um pretérito que nunca será presente ou destino. Mais um ano. Era isto que te queria transmitir. Um ano que seja o melhor dos melhores, que a tua vida transborde de amor, felicidade e sucesso. Que aproveites o último dos “-teen” com uma dose infinda de loucura e que só te arrependas do que não faças. Eu vou continuar a quinze minutos de ti, e nesses quinze minutos, será sempre como se estivesse no pólo oposto do Mundo. Ainda assim, acredita que vou torcer por ti em todos os segundos, mesmo naqueles em que tudo o que pense não tenha o teu nome, ou naqueles em que estarei deitada numa cama que não a tua. O que acaba, acaba para sempre…e ainda que não estejas na minha vida, levar-te-ei sempre comigo. Desejo-te tudo aquilo que desejo para mim. Sê muito muito feliz, porque apesar de tudo, tu mereces. Perdoa-me tudo.
“Parabéns ****! Beijinhos”
can't forget you
O que faço quando te fecho a
porta da minha vida, mas tu continuas no meu órgão cardíaco? Quando avançar com
a minha vida se torna inaceitável porque sinto que já me chega conhecer-te a
ti? A loucura a correr por todo o meu corpo, a minha pele a pedir por outra
pele, a racionalidade que cessa a emoção…onde ficou tudo o que era quando te
conheci? O “jogo da atracção” que sempre foi o meu entretenimento preferido e
hoje não me motiva. São feridas e marcas do pretérito que continuam tão
presentes como tu não estás…Talvez ainda te sinta em mim porque quando te
proferi que devias ir embora a minha vontade era totalmente o contrário. As
noites em branco em que o maior pesadelo já era passado de dia quando mesmo ao
meu lado, estávamos tão longe. Nunca te desejei a mais de um milímetro de mim. Nunca
desejei que fosse outro toque que fizesse fogo no meu corpo. Nunca desejei
tantas perguntas que ficaram sem resposta e que até mesmo a mim me põem
constantemente louca. Talvez também nunca tenha mostrado que te desejava da
mesma maneira que me desejavas a mim, mas se isso foi um problema, devias
ter-me conhecido melhor. A mim e ao meu telhado de vidro…que eu própria parti
para que não pudesses ser tu a fazê-lo.
141
Toda a escuridão com que lidei e todas as feridas que suporto tornaram-me
segura de mim, e felizmente, com muito amor-próprio. Reconheço os meus valores,
os meus princípios, o que me torna independente ao ponto de não aceitar estar
com alguém que não mereça tudo o que consigo ser.
Tenho a certeza que também ambicionas grandes feitos na tua vida, que
também te esforças por conseguir o melhor, mas às vezes chego à conclusão que
afinal nunca te conheci...Entre dois corpos movidos a prazer sempre esteve só
isso, ou a minha amizade era algo que tinhas acima de tudo? Enquanto exploravas
cada pedaço da minha pele sempre foi com o objectivo de tocares mais um corpo,
ou querias conhecer cada objectivo e cada detalhe da minha vida? Será que me
conheces melhor do que conheces o meu corpo? Será que te conheço melhor do que
conheço cada traço desde os teus pés ao teu rosto? Quando penso que sempre te
conheci percebo que nunca soube o que te motivava e movia neste Mundo...Afinal
a cama sempre esteve vazia, porque corpos, só corpos, não preenchem nada. Esta
é a realidade que não pode ser tornada romântica, mas sim aceite
independentemente do chão ceder, os telhados partirem, e nada mais fazer
sentido. Tu és a minha ferida sarada que nunca fecha por completo. És uma dor
que me fatiga e que não quero mais transportar às minhas costas. Não passas de
um sentimento mal definido que me consome alma e espírito, pelo que na minha
vida não tens espaço. Estou a desistir de tudo. Da tua amizade, do teu corpo,
mas principalmente de ti. As memórias ficarão sempre por mais que peça ao vento
que as leve, a felicidade que senti a teu lado nunca esquecerei, por muito que
adormeça a tentar não me lembrar no dia seguinte. Mas tu não mereces a pessoa
enorme que eu sou. Não estás preparado para mim, por muito que tivesse a
aprender contigo.
Abro-te a porta e despeço-me com um “Até já” sabendo que é um “Até Sempre”, não é o primeiro mas com certeza será o último. Camas cheias de vazio não faltam, o que falta é mais amor.
Abro-te a porta e despeço-me com um “Até já” sabendo que é um “Até Sempre”, não é o primeiro mas com certeza será o último. Camas cheias de vazio não faltam, o que falta é mais amor.
13
Após tanto tempo a julgar que eu
era suficiente, de tantas guerras para não reconhecer o teu perfume no meio de uma
enorme multidão, ver-te surge como a ferida sarada que volta a assombrar as
minhas noites de sonhos. Desejar cada pedaço da tua pele colado a cada pedaço
da minha alma nunca foi desejar muito. Nunca foi esforçado o contentamento por
poder sorrir entre os teus beijos ou até o singelo agrado de te ter presente na
minha vida. Foste a luz que mais iluminou a minha vida e a estrela que mais me
acompanhou nas madrugadas, e no momento em que decidi convidar-te a partir só
restou escuridão - um céu negro que esconde todas as estrelas e que não conhece
o luar; um pretérito que nunca conseguiu ser mais-que-perfeito; um laço que
nunca conseguiu vencer os impedimentos e as lutas da vida.
Com tanta desilusão sofrida aprendi a encontrar sinais onde eles não existem, e sei que até ao fim dos meus dias nunca saberei se tu querias mesmo ir embora do nosso abrigo. Foi uma escolha da qual não me arrependo mas com a qual tenho de viver como se cada dor não fosse mais um cânone deste caminho que tenho a percorrer. A carne nunca foi fraca e o coração muito menos, a saudade é que sempre foi maior que este e outro mundo. Sempre fomos e seguimos caminhos tão diferentes, mas talvez seja o orgulho aquilo que nos liga…o mesmo que faz com que nunca possamos ser aquilo que outrora fomos por muito que a vontade até fosse recíproca. Sei que era preciso suor, lágrimas e sangue para que te aceitasse na minha vida outra vez, para que te desse a oportunidade de me puderes quebrar em pedaços de novo, mas também sei que nunca terias coragem para voltar. Um dia esta ferida vai cicatrizar novamente. O céu vai abrir e resplandecer beleza e alegria por todos os cantos da Terra. Nesse dia, eu aprendi pela segunda vez a viver sem ti. Até virar outra esquina, ver o teu sorriso e a ferida abrir outra vez….
Com tanta desilusão sofrida aprendi a encontrar sinais onde eles não existem, e sei que até ao fim dos meus dias nunca saberei se tu querias mesmo ir embora do nosso abrigo. Foi uma escolha da qual não me arrependo mas com a qual tenho de viver como se cada dor não fosse mais um cânone deste caminho que tenho a percorrer. A carne nunca foi fraca e o coração muito menos, a saudade é que sempre foi maior que este e outro mundo. Sempre fomos e seguimos caminhos tão diferentes, mas talvez seja o orgulho aquilo que nos liga…o mesmo que faz com que nunca possamos ser aquilo que outrora fomos por muito que a vontade até fosse recíproca. Sei que era preciso suor, lágrimas e sangue para que te aceitasse na minha vida outra vez, para que te desse a oportunidade de me puderes quebrar em pedaços de novo, mas também sei que nunca terias coragem para voltar. Um dia esta ferida vai cicatrizar novamente. O céu vai abrir e resplandecer beleza e alegria por todos os cantos da Terra. Nesse dia, eu aprendi pela segunda vez a viver sem ti. Até virar outra esquina, ver o teu sorriso e a ferida abrir outra vez….
pretérito imperfeito
Espero
sinceramente que me vejas em tudo aquilo por que passas, e que em todos esses
sítios e em todas essas pessoas deixes um pouco de mim. Espero, do fundo do meu
coração, que seja eu a memória que aquela música louca te traz, que seja eu
quem mais queres ver no final de um dia cansativo, ou até que seja eu o motivo
de correres todas as avenidas com o intuito de me encontrares. Espero, com uma energia
capaz de quebrar todas as barreiras deste e doutro mundo, que seja a minha voz
que surge na tua alma sempre que um vocábulo francês é ouvido ou um inglês é
proferido por alguém que afirma odiar essa língua. Espero enormemente que seja
do meu toque que te lembres quando reparares numas unhas tão grandes e
arranjadas como as minhas, e que nisso tudo, te lembres do que proferiste e do
que viveste a meu lado que te fez feliz. Espero, mas espero mesmo, que me
recordes com uma saudade danada de voltar a sorrir do meu lado e a viver de uma
forma que não conhecias. Espero que percebas que não importa a multidão em que estiveres, nunca vais encontrar ninguém igual a mim, e muito menos me vais encontrar a mim. Espero que percebas que eu era a única pessoa capaz de
tornar a tua vida única, e que perdeste essa oportunidade para sempre.
Onde estão as chaves que julguei nunca precisar?
As portas que nunca achámos que fechariam
impedem o abrigo que outrora foi constante. Onde residem os sonhos? A magia? A
agitação da escrita que nos acalma e nos torna noutrem? Não faço ideia.
Tornamo-nos independentes ao meio de sobrevivência, largamos o mundo em que nos
protegemos numa fracção de segundo, e nem percebemos que abandonamos a única presença
incontestável na nossa existência em todas as fases da lua. Tornamo-nos vazios.
Já nada nos diferencia daqueles que vagueiam fora das quatro paredes à chuva.
Já não riscamos singelas folhas brancas com rabiscos de todas as cores e formas
da nossa alma, e pior que isso, já não sentimos a ausência de não o fazer. Só
há preto. Só há a nossa existência. E quando procuramos por vocábulos para nos
expressarmos, todos eles fogem e só fica aquilo que restou de nós. Afinal, quem
sou eu? Quem sou eu quando não é a escrita uma rotina e vício predilecto do meu
ser? Os sentimentos dentro do meu corpo não têm cor vermelha. O tempo expira. Nunca
imaginámos mas, as portas encerram. Eu fiquei deste lado. Porém, os vocábulos
ficaram do outro. Não quero ser ninguém se não poder escrever. Os sentimentos
dentro do meu corpo não têm cor vermelha. Mas gritam. De saudade e de
esperança, procurando uma nova luz...
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