Uma dor já cicatrizada...

Sempre defendi que a dor é a culpada da aprendizagem e do crescimento. Sempre me defendi melhor quando tudo desaba aos meus pés da pior maneira possível, do que quando o chão começa a ceder e o tentam apaziguar. A melhor maneira de me perderem sempre foi quebrarem-me em pedaços, e o curioso, é que isso também foi sempre a melhor maneira de me ganharem. E infelizmente, tu sempre soubeste como gerir o querer que tu ficasses, por muito que houvessem sinais que me diziam que eu não te queria na minha vida. Nunca pensei que pudesse gostar tão genuinamente de ti, que me pudesse habituar a esse teu jeito tão torto de andar, a essas maneiras tão tuas que ao início eram tudo menos o meu predilecto, que era com todo o carinho que te tentava proteger e te queria como alguém em que confiaria sempre na minha vida. Não me interpretes mal, nunca te vi como aquele que eu queria ao meu lado para sempre como num conto de fadas, e é por isso que éramos amigos….Por muito que fôssemos mais que isso. Mas a verdade é que numa coisa a culpa foi apenas minha – Confiar em ti como uma criança. Uma criança que descurou todos os sinais, que quebrou todas as regras próprias, que pôs a conversa sempre como meio para aperfeiçoar pontos que não gostava, que agiu sempre da maneira que considerava a mais correcta, uma criança que sempre teve medo de te magoar. E para quê? Para nem me dizeres adeus, quando disseste adeus ao nosso Portugal? Fiquei de rastos. Pedi-te a verdade do “não ter tempo” a menos de uma semana de ires, e tudo o que me deste foi silêncio. Foi uma semana infernal…Desde a incompreensão da atitude de quem julgava um bom amigo, até à viagem para o outro lado da vida de uma amiga canídea, e essa sim, uma verdadeira amiga. No fim dessa semana, pedi-te de novo a verdade em tom de revolta pela ignorância que silenciosamente me ofereceste, e tudo o que me deste foram mentiras. Mentiras que fingi acreditar, por a guerra não merecer ser lutada. Ao olhar para “nós” só vejo lembranças. E há tantas boas…Que só me tornam mais fria, mais cautelosa com quem deixarei partilhar risos e sorrisos. E mais que isso, que me fazem questionar se quererei mesmo confiar naqueles que me rodeiam…

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