Eu não te sei amar. De mãos geladas e coração quente. De cabeça transtornada e coração preenchido de amor. Não te consigo sentir pela manhã quando a brisa passa por mim, e à noite na presença das estrelas. Não te consigo encontrar pelo mundo fora, mas sei que estarás sempre que precise a meu lado. Porque me sentes por telepatia e me encontrarás pelo cheiro que sabes que possuo. E também não sinto amor quando os meus lábios tocam nos teus, mas sinto-me segura quando entrelaças os teus dedos nos meus dedos pequeninos de princesa. Na verdade, também me sinto princesa quando sinto que os teus vocábulos são límpidos como a água que às vezes me trazes. E quando despes o teu mundo sem pudor, quando proferes a verdade da vida, sinto-me única na tua vida. Tiras-me uma fotografia e dizes o quão bonita sou e o quanto me amas….mas eu não sinto amor. Olhas-me nos olhos durante os ínfimos segundos que permaneces à minha frente, mas as mariposas ainda não chegaram ao meu ventre, e o meu órgão cardíaco ainda não quis sair do meu corpo. Parece-me tão anormal para ser amor. Mas quando estás a meu lado sei que não estou sozinha. Espreito a minha alma, ela está serenamente a dançar, como se ainda fosse só minha, e tu nunca a conseguisses ver. E eu tento. Tento encontrar-te em mim depois de dobrares a esquina da avenida, tento encontrar o amor que me dás, mas tento sem sucesso. Vejo o meu reflexo no espelho e não te vejo. Só me vejo a mim. Pequenina. Sem amor nos olhos. Com um sorriso pequenino, sem razão aparente. E tu és tão grande. Sempre com os olhos brilhantes e um sorriso do tamanho do mundo. Já pensei que não te sinto porque tu não cabes em mim. Já pensei que tudo o que tenho para te dar não é o suficiente para ti. Mas tu nunca vais embora. Agora, acho que só não te sei amar. Pelo menos….como tu me amas a mim.