Estou entre linhas de amor. Umas mais fortes e com traço negro, outras frágeis e traçadas ao de leve. Como o oito e o oitenta não há nenhuma que se iguale. Enquanto numas se canta de amor, noutras sussurra-se de saudade. Ambas proferem amor, só não o expressam da mesma maneira. E aí estou. Entre essas linhas de amor. Entre as cantigas de amor e entre as lágrimas de saudade, escorrego mais uma vez na falta de confiança e firmeza. Escorrego e levo-me pela indecisão da vida que fez de mim aquilo que hoje sou. Completamente destroçada, na posse de um coração com buraquinhos, tento sempre sorrir ao de leve para que meu jeito se aposente no ar. E com as asas que o amor me ofereceu tento voar até um céu que me abrigue de noites escuras…mas é em vão, porque voltei a puder pisar chão quando me coloquei entre as linhas de amor. Ou melhor, quando o destino me colocou entre elas. E desde aí, dói olhar para as estrelas e saber que nenhuma brilha por nós. E neste “nós” que escrevo, não sei bem que és tu. Não tenho a certeza se já estás entre mim, ou se tens tido um caminho muito atarefado e ainda não conseguiste cá chegar. E se ainda não és uma das minhas linhas de amor, peço-te que venhas rápido e me salves deste mundo a linhas, que tem dias que acorda a preto e sem magia. Se fores uma dessas linhas, então vem e desenha-nos, faz-me riscar tudo aquilo que me fizeste ter a certeza que já não me pertencia. Dá-me amor e dá-me a tua mão para que as nossas almas cheguem à lua. Não imaginas as saudades que tenho de quando me podia ausentar horas a fio para permanecer a dialogar com a lua. Dias em que as noites eram claras e cheias de sentimento. Dias de um pretérito não tão passado. E que me fazem ansiar por um futuro diferente do presente. Um futuro totalmente preenchido a vermelho intenso, sem falhas a preto e branco, sem linhas que entristecem a vida. Porque eu não sou sujeito de meias coisas. Ou é. Ou não é. E é por isso que isto fere. Porque linhas de amor são brincadeiras de amor incertas, que nem tudo são, nem nada são. E não é giro andar por aí a brincar ao amor, a saltar entre essas linhas com o coração pesado de dúvidas. E tenho plena consciência que me encontro entre linhas de amor. E o meu coração sabe que tal coisa dói. Só que não sei como me libertar disto. Esqueci que não se apaga caneta com borracha. E faltas “tu” ao “nós” para me ensinar a riscar quem já mais me fez feliz.
“I believe that everything happens for a reason. People change so that you can learn to let go, things go wrong so that you appreciate them when they're right, you believe lies so you eventually learn to trust no one but yourself, and sometimes good things fall apart so better things can fall together" - Marilyn Monroe
peço desculpa, mas preciso de parar um pouco por mim. nunca desisti deste mundo, nem quando o tempo para mim própria era escasso, e não tenho intenções de o fazer. só preciso de tempo para pensar, de tempo para escrever sem nenhuma dúvida a pertubar-me o coração. é. preciso de um futuro onde escrever não dói. continuarei a acompanhar-vos com todo o gosto, espero que seja uma fase rápida. De qualquer modo, continuarei diariamente no cantinho privado. Branca de Neve.
Deixa que o amor fale. Quase sem voz, em letras pequeninas e sem força, já meio apagado e sem magia. Deixa que ele nos conte com carinho todos os pedaços de que fomos feitos. Que nos desenhe a preto e branco no cantinho de uma folha totalmente branca, e que sorria. Deixa-o contar as vezes que tivestes medo de me perder, deixa-o sussurrar de uma só vez a nossa cantiga. Deixa-o cantar-nos uma última vez, e deixa-me escrever-te com amor a declarar o fim. Deixa-o já sem alento, já sem coragem para lutar por nós por este mundo fora. Deixa-o sem mim. Deixa-o longe de ti. Deixa-o sem dia e sem noite. Na ausência da lua, sem o brilho das estrelas, sem os abraços e beijos recheados de carinho. Deixa-o falar daquilo que poderíamos ter sido, deixa-te imaginar em imagens vivas como viveríamos se tivesse dado certo. E deixa que perdure a saudade, mas nunca deixes que o nosso amor nos volte a invadir. Deixa-o falar agora. De uma só vez. De olhos nos olhos e de coração apertado. Deixa-o proferir tudo aquilo que tem a proferir, mas não o deixes voltar. Não o pintes de vermelho, da cor do amor, se não tencionares amar. Não prometas, se não tencionares cumprir. Dá-lhe céu, se tencionares colocar-lhe limites. Só que é. Isso não é amor, nem é lógico. Porque amar não tem limites. Nem barreiras. Nem fronteiras. Nem nada. Porque só amar já é tudo. E o nosso mal foi esse. Foi querer-mos ter sido tudo, quando só o nosso amor o poderia ter sido. Por isso, peço-te por favor. Peço-te que me deixes na solidão da noite acompanhada pelo silêncio, peço-te que não penses mais em mim, peço-te para ficares longe. Porque nós deixámos de fazer sentido, quando deixámos cair todos os valores morais para uma relação qualquer. E quando deixares de ouvir as letras pequeninas do amor, que já sem alento se apresentam, deixa que o amor se cale. E põe-no na rua. Ao frio e ao vento. Já sem rabiscos para serem lidos. Deixa para lá. Bem para lá, onde se vive de infelicidade. E deixa-o. Deixa-o morrer.
É difícil tentar sorrir quando nada parece dar certo, difícil segurar um sorriso na nossa face que jamais nos pertence. Protegemo-nos com vocábulos que sugerem a mentira, e eles às vezes tremem porque é difícil segurarmos mentiras. É tarefa complicada prender as lágrimas no interior nos dias escuros, em que a nossa intenção era sermos felizes, mas as consequências da vida levam-nos para outros rumos. Os vocábulos por vezes ficam por dizer, quando a nossa voz está completa de falta de coragem, e falta a força para conseguir produzir em som tudo aquilo que desejávamos transmitir. Viver é o maior obstáculo do mundo, mas quando se vive, é o mais gratificante. A vida é forçada, cheia de tempestades que levam de nós tudo aquilo que mais nos faz feliz, a vida engana, trai-nos, projecta-nos para a desilusão, e às vezes as coincidências são só mais obstáculos. E por isso, desde que eu conheci o que todos têm medo de conhecer, apresentei-me e sentei-me no colo da escrita. Desde então, trato-a com o máximo carinho, e faço o máximo por deixar em cada palavra uma magia que preencha o vazio com que foi criada. A escrita é como um amor. Só que daqueles que para a eternidade acontecer, basta a nossa vontade de ficar. Nela deixo tudo o que não consegui realizar a sério, e nas suas entrelinhas deixo a minha maior fragilidade. Às vezes brinco com ela, outras vezes não me apetece tanto brincar. Mas dá certo. A escrita resguarda-me e ensina-me como viver, dá-me os frutos do bem pensar e canta-me cantigas de amor aos ouvidos. Adormece-me na paz e na melancolia da noite, e não me deixa chorar no silêncio da mesma. Ela é mais que um amor, porque isto sou eu. Sou eu sem medos nas linhas que vocês não conseguem ler. E espero que me tenham lido com atenção, com pormenor, com detalhe, porque eu também sou assim. Com muitas vírgulas, com muitos finais, com muitas reticências também….e se continuar a não dar certo, aqui eu faço com que dê. Ainda não entenderam a palavra escondida que falta aqui? Feliz. Sim. Sou isso também. Sou feliz porque estes rabiscos sou eu, e porque nunca vou deixar que alguém tenha força para me deixar ir a baixo. É difícil, mas isto continuo a ser eu. Num cliché que ninguém mais perceberá senão eu. Por isso deixem, se não entenderem, esqueçam que alguma vez me leram. Lembrem-se só que eu disse que era feliz. Porque isso é o mais importante na minha vida.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


