No outro dia
almoçava no café quando surgiu uma conversa sobre relações à distância. A
pessoa em questão disse que não acreditava, compreendia ou conseguia estar numa
relação à distância, decisão que apesar de respeitar, não estou de acordo. E
lembrei-me de vir aqui transmitir os meus ideais rascas, nada encaixados na
nossa sociedade atual, porque na minha opinião o geral das relações de hoje em
dia são relacionados com paixão que se torna em obsessão de ter determinada
pessoa quase “algemada” a nós, ou as famosas relações que chamamos de “curte”,
com as quais concordo se estiverem encaixadas num conjunto de bases. É verdade
que atualmente falta mais amar do que amor, mas também falta ver mais o que
podemos ser com pessoa “x”, e não só o que podemos fazer com ela. Relações que
as pessoas intitulam de sérias baseadas somente em beijos, contacto e sexo,
para mim, é algo que tem uma nulidade enorme. Ao contrário da maioria não
acredito no amor à primeira vista, e apesar de respeitar todas as opiniões, acho
que é uma estupidez depois de o sujeito perceber o que é o amor. Acredito na
paixão à primeira vista, e com paixão compreenda-se que falo numa atração
física e numa certa química entre dois indivíduos.
Voltando ao que dizia inicialmente, acho que já conseguiram compreender que acredito e estou de acordo com as relações à distância. E digo-vos até, que na minha opinião mais sincera, uma pessoa que não acredita nisto, ou não sabe o que é o amor verdadeiro, e sublinho a traço negro “verdadeiro”, ou fala sem experiência própria porque o falar está na moda. O amor antes de estar presente fisicamente está presente psicologicamente, como aquele traço que une os órgãos cardíacos numa linha transparente que mais ninguém vê senão eles. Não vou negar que às vezes dói não estarmos tão perto da pessoa como desejaríamos, até porque doer é pouco para a dor que se sente, mas existe algo mais forte do que o próprio sofrimento que nos magoa no fundo da alma e por vezes nos faz lacrimejar.
Voltando ao que dizia inicialmente, acho que já conseguiram compreender que acredito e estou de acordo com as relações à distância. E digo-vos até, que na minha opinião mais sincera, uma pessoa que não acredita nisto, ou não sabe o que é o amor verdadeiro, e sublinho a traço negro “verdadeiro”, ou fala sem experiência própria porque o falar está na moda. O amor antes de estar presente fisicamente está presente psicologicamente, como aquele traço que une os órgãos cardíacos numa linha transparente que mais ninguém vê senão eles. Não vou negar que às vezes dói não estarmos tão perto da pessoa como desejaríamos, até porque doer é pouco para a dor que se sente, mas existe algo mais forte do que o próprio sofrimento que nos magoa no fundo da alma e por vezes nos faz lacrimejar.
A conversa prolongou-se um pouco mais
e tocaram no ponto: “não acredito que pelo menos na nossa idade uma pessoa seja
feliz num relacionamento à distância, até porque não acredito que uma pessoa da
nossa idade saiba amar.” Lá está, outra coisa que também não compreendo
minimamente e que não vai nada de encontro às minhas filosofias rascas. Amar
para mim faz parte da maturidade, maturidade essa que normalmente esperaria que
o geral a ganhasse entre os catorze e os quinze anos de idade, e portanto, eu
espero que uma pessoa na minha idade já saiba amar de verdade, como se falasse
na eternidade. Talvez seja eu a doente no meio desta situação toda e esteja a
escrever barbaridades enormes que ninguém compreende. Mas pergunto-vos, o que
vos faria mais infeliz numa relação: demasiados problemas ou a falta diária da
pessoa fisicamente? Acho que é errado concluir que numa relação à distância
somos infelizes porque não pudemos fazer com o nosso namorado aquilo que faríamos
se ele estivesse presente diariamente. Seriamos infelizes sim, se não houvesse
amor para nos curar as feridas quando nos magoamos, porque que eu saiba ainda
existem vários meios de comunicações para estarmos sempre presentes ou para
pedirmos ajuda quando precisarmos dela a quem gosta de nós, e a quem amamos. Os
números que afastam o amor um dia tornam-se nulos, um dia construem uma vida
conjunta, e um dia provam à merda de sociedade em que vivemos que os
sentimentos são mais valiosos que o materialismo. A distância não é um
bicho-de-sete-cabeças quando nutrimos confiança na pessoa que está a “x” quilómetros
de nós, quando aquilo que nos liga é forte, a distância é um obstáculo que por
muito que doa nos torna mais fortes. Pode não ter resultado bem no pretérito,
mas não está certo deixarmos de acreditar porque nos demos mal com isso umas
quantas vezes. A vossa eternidade pode não estar a três quilómetros de vocês,
pode estar a três mil, mas mesmo a três mil vai-vos tornar mais felizes do que
se estivessem sem ela. Ultimamente o mundo esquece-se que enquanto a paixão nasceu
e posteriormente morreu, o amor ainda conseguiu continuar à espera, ainda
conseguiu continuar a amar todos os dias, ainda conseguiu batalhar contra todas
as barreiras que o tentaram destroçar, e que no fim, o amor já sem distância ficou
com espaço para o que vem por acréscimo nas relações: o carinho.

