
A verdade é que
eu escrevo demais. Sinto demasiado falta. Falta de emoções perigosas, falta de
coragem, falta do que se opõe ao medo, falta de carinho. Cai tudo sobre os meus
ombros, e como humana, tento encontrar alguém que se disponha a sair do seu abrigo,
do seu espaço de conforto, para caminhar de abraços abertos para junto de mim.
E só quero afogar todas as desilusões em choros seguidos, só quero derramar a
tristeza que me abate no interior. E escrevo demais porque sinto demais.
Escrevo como um escape a vida que me derruba dias seguidos, escrevo como uma
barreira que me separa de quem não sente, escrevo não por escrever, mas sim por
sentir aquilo que escrevo. E dói sentir tanto todos os dias. Dói sentir que não
somos bons naquilo que realizamos, dói sentir a nossa alma a morrer lentamente
e o nosso coração quase parado. Dói sentir que aquilo que mais desejamos no
momento é proibido, que o nosso sonho é impossível e que nós somos impotentes. Dói
sentir. Dói amar sem saber amar, e dói amar sem te puder amar. Dói ver-te sem
te puder empregar o vocábulo “meu”, e dói sorrir-te como se tratasse da
inocência de uma criança, e não da imensidão de sentimento onde disfarçadamente
mergulhamos. Dói, sobretudo magoa, despedaça, mata. Termina com a fé e com a
esperança. Termina comigo mesma em momentos mortos de amor, em momento frágeis,
em momentos onde luto para voar mas as assas foram-me cortadas. E existem
poucas almas que são capazes de me escutar a fim de me refletirem num esboço de
sentimentos, existem poucas almas que ao possuir o dom do entendimento o usam
da forma correta. Poucos espíritos que me entendem em cada espaço e que sabem
que não estou a viver na solidão. Vivo rodeada de amor daqueles que nem sequer
me importaria de não conhecer, e na falta do amor que necessito da pessoa,
apenas de um só sujeito, que me faria desistir de todos os meus sonhos.