Onde estão as chaves que julguei nunca precisar?


As portas que nunca achámos que fechariam impedem o abrigo que outrora foi constante. Onde residem os sonhos? A magia? A agitação da escrita que nos acalma e nos torna noutrem? Não faço ideia. Tornamo-nos independentes ao meio de sobrevivência, largamos o mundo em que nos protegemos numa fracção de segundo, e nem percebemos que abandonamos a única presença incontestável na nossa existência em todas as fases da lua. Tornamo-nos vazios. Já nada nos diferencia daqueles que vagueiam fora das quatro paredes à chuva. Já não riscamos singelas folhas brancas com rabiscos de todas as cores e formas da nossa alma, e pior que isso, já não sentimos a ausência de não o fazer. Só há preto. Só há a nossa existência. E quando procuramos por vocábulos para nos expressarmos, todos eles fogem e só fica aquilo que restou de nós. Afinal, quem sou eu? Quem sou eu quando não é a escrita uma rotina e vício predilecto do meu ser? Os sentimentos dentro do meu corpo não têm cor vermelha. O tempo expira. Nunca imaginámos mas, as portas encerram. Eu fiquei deste lado. Porém, os vocábulos ficaram do outro. Não quero ser ninguém se não poder escrever. Os sentimentos dentro do meu corpo não têm cor vermelha. Mas gritam. De saudade e de esperança, procurando uma nova luz...