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Após tanto tempo a julgar que eu era suficiente, de tantas guerras para não reconhecer o teu perfume no meio de uma enorme multidão, ver-te surge como a ferida sarada que volta a assombrar as minhas noites de sonhos. Desejar cada pedaço da tua pele colado a cada pedaço da minha alma nunca foi desejar muito. Nunca foi esforçado o contentamento por poder sorrir entre os teus beijos ou até o singelo agrado de te ter presente na minha vida. Foste a luz que mais iluminou a minha vida e a estrela que mais me acompanhou nas madrugadas, e no momento em que decidi convidar-te a partir só restou escuridão - um céu negro que esconde todas as estrelas e que não conhece o luar; um pretérito que nunca conseguiu ser mais-que-perfeito; um laço que nunca conseguiu vencer os impedimentos e as lutas da vida.
Com tanta desilusão sofrida aprendi a encontrar sinais onde eles não existem, e sei que até ao fim dos meus dias nunca saberei se tu querias mesmo ir embora do nosso abrigo. Foi uma escolha da qual não me arrependo mas com a qual tenho de viver como se cada dor não fosse mais um cânone deste caminho que tenho a percorrer. A carne nunca foi fraca e o coração muito menos, a saudade é que sempre foi maior que este e outro mundo. Sempre fomos e seguimos caminhos tão diferentes, mas talvez seja o orgulho aquilo que nos liga…o mesmo que faz com que nunca possamos ser aquilo que outrora fomos por muito que a vontade até fosse recíproca. Sei que era preciso suor, lágrimas e sangue para que te aceitasse na minha vida outra vez, para que te desse a oportunidade de me puderes quebrar em pedaços de novo, mas também sei que nunca terias coragem para voltar. Um dia esta ferida vai cicatrizar novamente. O céu vai abrir e resplandecer beleza e alegria por todos os cantos da Terra.   Nesse dia, eu aprendi pela segunda vez a viver sem ti. Até virar outra esquina, ver o teu sorriso e a ferida abrir outra vez….