Agora vou conseguir matar-te de dentro de mim. Tenho a certeza. Já não digo que te vou deixar querendo estar do teu lado, já não vou deixar de estar do teu lado estando no teu coração. Não vou. Não te vou amar. Não te vou querer. A vida é dura, mas eu ainda o sou mais. Quero que me leias corretamente desta vez, porque estas serão as tuas últimas linhas. Deixa-me escrever todo o nosso laço que ainda vivo e sinto, porque posteriormente não sobrará nada à exceção das memórias que nunca esquecerei. Das memórias que nunca conseguirão arrancar do meu órgão cardíaco. Ouve a sinfonia que ainda te canto, recebe os vocábulos que ainda te entrego. Lê-me a sério e só te peço esta vez. Foste mais do que algum dia desejei, chegaste mais longe em mim do que poderia esperar. Tu sabes o motivo de te estar a dar morte. E sabes que vou conseguir desta vez. Porque desta vez eu quero que morras dentro de mim. Desta vez eu quero que o céu não tenha espaço para ambos. De mãos dadas. Quero acabar o sofrimento com sofrimento que não tem fim. Quero acabar contigo como nunca quis. Deixar-te sempre foi irreal, brincadeira. Pura ação sem fim. Deixar-te sentir a minha ausência, a minha dor quando não estavas presente. Mas agora quero sentir-me. Sentir-me a viver. E nós estamos a morrer, nascemos para morrer. E a tua força está a deixar de se sentir no meu órgão cardíaco. A tua presença está a tornar-se nula. Estás a morrer dentro de mim. O teu valor antigo está a morrer para mim. Só quero que oiças esta voz que te invade, esta voz que te perde o amor, que te perde também o timbre… a morrer. A deixar de te falar amor como se falasse números e letras. A deixar de te ouvir. A deixares de a ouvir. Lentamente…