Perdi muitas oportunidades por medo de errar, errei muitas vezes com medo de arriscar. E fui deixando que largasses a mão ao nosso sentimento, fui deixando vestígios tristonhos em ti, fui deixando que o tempo passasse e que nós nos tornássemos cada vez mais fracos. Hoje esforça-te para me leres porque eu estou a fazer cuidado nas palavras para que não saiam hipócritas, para que não nos leiam em amor, porque por mais que doa, nós nunca partilhámos esse laço. Não nego que possuímos um sentimento belo em nosso torno, não nego que gostei um bocadinho mais do que devia de ti, não nego que existiu química entre nós. Mas do mesmo modo não nego que não soubemos ser constantes naquilo que construímos, que deixamos ruir tudo aquilo que alcançamos. Soubeste-me conhecer, percorrer-me em cada traço, e sobretudo atingiste facilmente os meus pontos fracos. Reconheces-te que acho super amoroso quando me olham nos olhos, que quando os olhos de alguém me dizem muito desconcentro-me sempre e tenho de fazer um enorme esforço para não deixar fluir vocábulos para o mundo, que retratem aquilo que eu não lhe quero dizer. Aprendeste os meus detalhes e pormenores sem necessitares de um livro de instruções, e percebeste que antes de alguém chegar a mim, passará por mil e uma máscaras que escondem o que verdadeiramente sinto. E descobriste-me; descobriste-me atrás de todos os pontos de interrogação, atrás de toda a brincadeira do ser feliz…porque passaste-me a ver através dos meus olhos que sempre te remeteram para o meu coração. Para o meu coração negro e frio, cujos sentimentos costumam ser ignorados, e cujo corpo maioritariamente age sob influência dos pensamentos. Talvez seja aqui que tu um dia querias chegar. Que eu não deixo ninguém crescer no meu coração porque não o disponibilizo como porto de abrigo a quem mais gosta de mim, a quem me daria o mundo para me ver sorrir. Só que eu aprendi a ser assim, a não deixar ninguém chegar ao fundo do meu coração para não o perfurar. E hoje observo a lua quase a meu lado, e as estrelas cintilam tanto…menos a nossa. Essa apagou há tanto tempo que já nem me recordo da última vez que estivemos ao luar a observá-la. Mas deixa, não quero que nos perdurem os momentos tristes, porque nos fomos muito mais que isso. Só estou aqui hoje, a escrever para ti, junto a lua que sempre te disse tudo porque não faz mais sentido. Agora que conheci a realidade sinto que a esperança morreu. Já não há mais escuridão neste nosso mundo. Porque tudo o que me desejas de bom, eu desejo-te o dobro. Desejo-te a felicidade que nunca conseguiste encontrar, o amor que nunca acertaste, o café amargo que nunca soubeste saborear, o sorriso que nunca soubeste dar debaixo da chuva, o mundo que nunca soubeste viver. Chega a uma altura que paramos de tentar que dê certo, e deixamos ir. Foi destinado…
Caros habitantes deste meu cantinho, onde me refugio vezes sem contas, e onde não tenho medo de mostrar o verdadeiro "eu". O motivo de hoje aqui estar presente não é o habitual, hoje não vos disponibilizarei os meus sentimentos para serem lidos, mas sim quererei agradecer-vos todo o carinho que me têm dado e pedirei um pequeno favor. Actualmente já tenho quase cem almas aqui comigo, e não vos sei explicar o quão bom é dizê-lo. E melhor ainda, é saber que foi tudo resultado da minha escrita. Porque realmente eu acho muito triste as almas vazias e sem cor que vêm para aqui só para terem muitos seguidores. É totalmente idiota seguir abrigos que não temos gosto em ler só para ganharmos um novo seguidor, além do mais, esse não é o objectivo disto. Eu refugio-me aqui para me sentir melhor comigo e com o que está à minha volta. Expresso-me na minha escrita porque me dá prazer fazê-lo. E não pensem que sou arrogante, só quero deixar claro que somente vou ler quem os seus vocábulos me encherem o coração. Peço desculpa por este desabafo rápido, mas é algo que está a algum tempo por dizer. E por isso, agradeço-vos estarem aqui comigo, visitarem-me em cada publicação, mesmo deixando ou não um comentário. Em relação ao pequenino favor a que me referia ao inicio, é que "votassem" no texto da sophie que está num concurso, aqui. Muito obrigada, prometo voltar a ser mais assídua. 
Branca de Neve


O problema é mesmo esse. Somos constantemente deixados para trás numa extrema correria, que por vezes nem sequer temos tempo para desfrutar cada sorriso. Vivemos com muita ausência, seja de tempo, seja de vocábulos, seja de amor. Tropeçamos em cada passo, nos nossos próprios pés, nos obstáculos. E caímos. Rasgamos a pele do nosso corpo por descuido, outras vezes por raiva e ódio. E às vezes não está no nosso tempo de sermos magoados, não está na nossa altura, mas nada é capaz de nos levantar do chão que se apodero do nosso sorriso e da nossa felicidade. Todos os dias são feitos de lutas contra tudo e todos, feitos de combates sempre em aberto, em que nenhum vocábulo bonito é capaz de desfazer um coração partido. Coração partido pelas partidas da vida, que nos maltratam fisicamente e psicologicamente, num espaço indefinido e numa enorme dimensão de dor. E tentamos ser fortes. Choramos por entre o silêncio da noite para tentarmos manter um sorriso amarelo durante todo o dia.  E às vezes deixamos que derramem pela nossa face vestígios da dor guardada para o próprio coração, e durante essa noite, castigamo-nos como se fossemos seres que não usufruem da possibilidade de errar e de baixar a cabeça. E aí percebemos que temos de lutar por nós. Temos de lutar pelo que o coração é incapaz. E nós vamos ter de ser o nosso próprio herói muitas vezes. E isso implica muita luta que resulta em desistir do que mais nos faz feliz…porque o que nos alegra, também nos desilude e magoa a sangue frio. O coração não cede, não estará de acordo com os outros sentidos muitas vezes, e ele nunca quer deixar ir quem amamos. Mas sempre chega a hora. Como chega a hora de deixar ficar, chega a hora de deixar partir. Somos deixados para trás, e deixamos para trás. E vai doer muito na hora de gritar com o coração a lacrimejar, de suster a respiração e ouvir o nosso próprio choro. Dói muito quando estamos de tal forma agarrados a tal sujeito, que a sua ausência se forma aos nossos olhos um abismo para o qual todos os dias pensamos e tentamos saltar. Porque não é fácil. E é impossível envolvermo-nos tanto com alguém a nível físico e não ficarmos afectados a nível emocional. E o problema é esse. É sermos inúteis. Resta-nos acreditar que viver depois da escuridão ainda é possível. Levantar o queixo bem para cima e olhar em frente. Sorrir. Tentarmos ser felizes por entre linhas do tempo, percorrendo todas as esquinas com a falta do brilho no olhar, mas com a forma desajeitada do sorriso. Não nos preocuparmos tanto com os outros, e olhar um pouco mais para o nosso próprio umbigo. Levanta lá dessa vida. Todos nós merecemos ser felizes. Nem que tenhamos de fingir tantos sorrisos para passarmos a acreditar que o somos.

Podias ter-me dito que ias sair da minha vida. A paixão é mesmo isto, nunca sabemos quando acaba ou se transforma em amor, e eu sabia que a tua paixão não iria resistir à erosão do tempo, ao frio dos dias, ao vazio da cama, ao silêncio da distância. Há um tempo para acreditar, um tempo para viver e um tempo para desistir, e nós tivemos muita sorte porque vivemos todos esses tempos no modo certo. Podias ter-me dito que querias conjugar o verbo desistir. Demorei muito tempo a aceitar que, às vezes, desistir é o mesmo que vencer, sem travar batalhas. Antigamente pensava que não, que quem desiste perde sempre, que a subtracção é a arma mais cobarde dos amantes, e o silêncio a forma mais injusta de deixar fenecer os sonhos. Mas a vida ensinou-me o contrário. Hoje sei que desistir é apenas um caminho possível, às vezes o único que os homens conhecem. Contigo aprendi que o amor é uma força misteriosa e divina. Sei que também aprendeste muito comigo, mais do que imaginas e do que agora consegues alcançar. Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste, esse tempo que é uma caixa que se abre ao contrário: de um lado estás tu, e do outro estou eu, a ver-te sem te poder tocar, a abraçar-te todas as noites antes de adormeceres e a cada manhã ao acordares. Não sei quando te voltarei a ver ou a ter notícias tuas, mas sabes uma coisa? Já não me importo, porque guardei-te no meu coração antes de partires. Numa noite perfeita entre tantas outras, liguei o meu coração ao teu com um fio invisível e troquei uma parte da tua alma com a minha, enquanto dormias. 
- Margarida Rebelo Pinto


Deixa-me escrever de coração para ti, numa escrita onde apenas tu és minha melodia, num conjunto em que apenas tu és sujeito. Recebe estes vocábulos com amor, que pela primeira vez podem ser lidos neste meu cantinho, sem medo que percam total essência pelo mundo. Recebe-os de braços abertos, beija-os levemente, e deixa-te levar pela doçura das entrelinhas. Não te esqueças que aqui, hoje, estou-te a marcar presença na saudade, com escrita da minha alma e do meu coração. Não esqueças que aqui, sou inteiramente “eu” para contigo…e só aqui estás tu escrito. Espero que seja a primeira das muitas vezes que me reservam para te escrever. Como assim espero que me saibas ler, em todas as vírgulas e em todos os pontos finais, sem nunca me perderes. A natureza tem por costume acompanhar-me aqui, em todos os meus devaneios, em todas as minhas quedas, em todos os meus aléns. Então, talvez te fosse útil neste momento, em que já deixei contigo um detalhe, se deixasse aqui marcado que parou agora de chover. No entanto, gotas que caiem do céu não afectam o calor da nossa amizade. Na verdade nada do mundo das trevas nos afecta. Não existem rostos lacrimejantes nas nossas paisagens desenhadas, nem corações a viverem de infelicidade nas nossas vidas. E tu tens um olhar brilhante para o qual dá gosto olhar, e um sorriso que dá prazer de percorrer. Alegras-me assim em dias um pouco mais desgastantes, sempre pronto para mim, e agora disponho a minha escrita para quem me assenta um sorriso. Para ti, e hoje somente para ti. E ainda de acordo com o meu motivo inicial, deixa-me dizer-te com a voz do coração que as saudades de nós, (não de ti), têm vagueado muito em mim. E antes que me interpretes mal, faço-te ler que o motivo é está distância que atormenta dois corpos. Distância física, porque o espaço entre países é demasiado longínquo, assim como o espaço que ocupas em mim. Faz pausas na tua leitura deste texto tão sem jeito para ti, e de noite comtempla-nos no céu a brilhar, que eu deixo-me permanecer no seu silêncio a contar o tempo que falta para voltares. Guarda com sentimento, estes rabiscos cheios de “nós”, e lembra-te sempre do que um dia disseste para eu marcar. Peço-te que deixes as tuas acções agirem sob os teus vocábulos, e que me livres destas linhas de amor terrivelmente maldosas à minha felicidade. Não fazemos parte do mundo desde sempre, mas seremos um mundo para a eternidade. Nunca me proíbas de te escrever, nunca quebres o meu coração. Quero-te escrever sempre letrinhas com corações e o demais lamechas…porque és tu que sem um jeito meio definido saí por entre os arbustos pronto a virar a minha vida do avesso. E ouves a melodia que com extrema sinfonia ecoa em ti? Sou eu. Sou eu sem mascarás a escrever-te de coração e sem medos. Sou eu. E por favor, não me deixes ir.