Um ano que tanto me ensinou e
tanto me fez feliz. Olhar para o pretérito não é mais sinónimo de
arrependimento, mas sim de reflexão. Um sinal de como os erros que outrora
angustiaram a minha alma e cortaram a respiração ao meu coração, hoje me dão
uma força incrível para vencer. 2017 foi um ano marcante, um ano diferente. Um
ano que tornou um país estrangeiro num lar, que me deu uma família de amigos em
cada canto do mundo, que virou viagens rotinas mensais, que tanto me fez
aprender sobre quem eu sou, e que tanto me fez apaixonar por cada pedaço da
terra e cada pedaço de vida. Quem diria que um ano que logo nos primeiros dias me
ofereceu uma das piores deceções da minha vida, me poderia oferecer tanto
sentimento bom ao longo do ano. Contudo, 2017, também me ensinou a não confiar
no amor. Mais uma vez. Após todas as minhas tentativas falhadas de tentar
amolecer o meu órgão cardíaco que era de pedra, a conclusão que retiro é sempre
a mesma - Nada como poder controlar a dor que os outros me podem infligir. Já chegam
todas aquelas batalhas com que o destino nos pode surpreender e que nos é
impossível controlar, para quê nutrir cores e formas pelo príncipe que
idealizamos no nosso conto de fadas e que de um dia para o outro se transforma
em sapo e nos tira o chão? Já não confio na verdade. Na lealdade. Na
fidelidade. Parece que nos dias de hoje o jogo se tornou em quem consegue
enganar mais, quando o meu maior valor é a verdade. Então que esqueçamos o amor
que nos atormenta e joguemos o jogo desprovidos de qualquer “nós”, mantendo
assim intacto aquilo que somos e aquilo em que acreditamos. Que aprendamos a
viver num Mundo onde se pratica a omissão, e que em tudo o resto que não
relações amorosas, lutemos com tudo aquilo em que temos fé e até com o mais
pequenino “nós” que temos dentro de nós. Que aprendamos a viver felizes num
Mundo em que acreditamos existir Amor, mas não acreditamos que valha a pena
lutar por ele.