Nunca me prendo por quem me dá os bons dias, mas não faz o
dia ser realmente bom. Não sei ver os meios-termos. Não sei compreender tudo
aquilo que não chega a ser nem a não ser. Gosto de certezas. Pessoas que sabem bem
aquilo que não querem, de todo, que faça parte das suas vidas. Gosto de
mudanças incertas em caminhos certos. A autenticidade e a vontade movem tudo, e
o que não há para mover, é falta de vontade. Não há impossíveis quando tudo o
que temos é um órgão cardíaco aberto e a incontrolável vontade de tudo ser. E
gosto de pessoas que dão tudo. Que se batem e debatem até já não existir mais
sangue para ser derramado, mais lutas para serem travadas, mais segredos para
descobrir, mais cores e formas para inventar, mais sensações que valham a pena
viver. Gosto de ser um poço de alegria. Quanto mais se desce, mais alegria se
descobre….Porque a melhor arma para qualquer luta sempre foi a alegria. Sempre
foi a satisfação que lutei para conquistar. Quem vive satisfeito, vive a querer
sempre mais. Vive disposto a procurar a melhor flor de qualquer um dos jardins
mais bonitos neste Mundo, não se importando sequer a quantidade de vezes em que
se poderá picar. Meios-termos são a ausência de emoção. Nem causa ódio, nem
causa amor…só não causa nada. E não originar nada é não ser diferente. Eu gosto
de ser diferente. Gosto do mistério de ninguém saber quem sou senão eu. Gosto
de corações de pedra que amolecem o meu coração que ainda mais de pedra é.
Gosto de quem está nos meus dias porque quer fazer a diferença. De quem vê a
minha felicidade como uma prioridade. De quem se interessa e sabe que perder-me é a pior opção. Nunca me
prendo por quem me dá a boa noite, mas não faz questão de descobrir se o dia me
trouxe tudo aquilo que esperava.