O pretérito não fica tatuado. Não
marca quem sou. Ninguém que hoje faça parte de mim amanhã deixará uma parte de
si comigo. São vocábulos frios que reflectem a frieza de que sou feita, ao
contrário do romantismo que sempre tentei escrever para equilibrar a romântica
que não sou. Sou uma onda que leva tudo à frente. Num instante somos tudo…E no
outro nada. E se no momento temos tudo, só o temos no momento, porque quando
parte, não é mais nosso, nem faz mais parte de nós. Construímos uma vida de
pedra que cessa um coração de vidro. Racionalizamos os sentimentos e
neutralizamos um emocional que só permite o desejo de possessão da carne que
nunca será mais que loucura com termo reservado. A vida deixa de fazer sentido,
e o sentido são momentos. E de que está errado pensar assim, se afinal
descobrimos que a vida são momentos? Findam os pesadelos com os “finais felizes”,
finda o sujeito que sem ter noção carrega toda a nossa vida às costas, finda a
felicidade que vem daquilo que não controlamos. E conhecemos como controlar a
nossa vida mesmo quando esta está fora do controle, conhecemos quem podemos ser
se não tivermos alguém a limitar-nos, conhecemos um mundo sem barreiras nem
oposições. Não temos abrigos senão outra carne que possa corromper todos os
tormentos que persistem em nos perseguir, e cada desilusão que nos tente
destruir é batalhada noutra loucura. Banalizamos o corpo como eles banalizam o
amor. A vida corre e sempre que teima em chover, recorremos ao prazer para não
deixarmos de possuir a esperança nos raios de sol. Se alguma vez terminará este
ciclo vicioso em que cada corpo é só mais um? Não sei. É necessário estar
pronto para cair de um prédio de vinte andares quando quisermos amar; é
necessário estarmos dispostos a deixar alguém marcar-nos o suficiente para não
sair da nossa alma para toda a vida; é necessário confiarmos toda a nossa verdade
a alguém que não nós mesmos…E se há coisa que aprendi foi a jamais confiar em
quer que seja. Talvez nunca encontre rosas sem espinhos, talvez nunca encontre
alguém que me apaixone pela vida e me faça querer ter alguém que contém a
junção de ambos os sangues como união do amor, talvez nunca conheça o amor que não
deixa espaço para nada mais que amar….Mas assim também não ficarei despedaçada
por o sujeito a quem dei tudo me tivesse dado a lua como companhia nas frias
noites de luar.

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