só há espaço para mim

Tenho aversão às moralidades cravadas à humanidade onde se escreve tudo o que abrace o politicamente correcto. As reflexões de todos os sentimentos por vocábulos que já percorreram meio mundo transtornam-me, assim como a ausência de alma e carácter naquilo que se faz. Na vida só preciso de um sentido: o de viver. É o único que me motivará sempre para continuar e afastará sempre a ideia de desistir, ainda que às vezes, seja o sentido mais difícil de descobrir pois temos de conhecer quem somos e para onde queremos ir. E nós não somos aquilo que fazemos. Nós somos aquilo que aprendemos do que fazemos. Não acredito que eu seja o erro que cometo ocasionalmente e com o qual conheço mais daquilo que me move, mas talvez seja o erro que cometo assiduamente com um desejo enorme de o repetir vezes sem conta. Tenho um sabor especial por me entregar à coragem e me traduzir em arrependimentos que me mostram quem na realidade sou, e no fim, guardar todas as realidades interiormente. Ninguém me conhece. Ninguém sabe a dor que me atormenta todos os dias e com a qual sorrio puramente, a dor que percorre velozmente as minhas veias e me dilacera. Sou feita de papel e vivo como se fosse de ferro. Escondo tudo aquilo que me fragmenta dentro de uma pele que não é a minha e confesso os dissabores que o destino me traz numa escrita que me abriga. Sou a pessoa mais forte e mais fria que conheço, mas isso não me impede de sentir o negrume que insiste em pairar num ar que outrora era límpido, não me impede de ser humana e ultrapassar horas insuportáveis em que me esforço para me mostrar no auge da vida. Era desumana se todos os meus sorrisos mostrassem sempre a felicidade que eu sentia. Criei à minha volta inúmeras barreiras que nunca deixam ninguém chegar até mim, até porque no dia em que houver alguém que consiga entender o que sinto pelo espelho da minha alma, o meu chão começa a ceder. Não sei gostar mais de alguém do que gosto de mim. Não sei confiar a minha vida a alguém mais que eu. E no dia em que as barreiras quebrarem, deixo de saber quem sou…perco-me sem me querer voltar a reaver com medo que haja alguém capaz de me encontrar…

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