a dor transforma-nos


Estontearam-me as verdades cruas que me despiram de ambições amorosas. Tantos sujeitos a sufocarem-se em gritos mudos, choros infindáveis e cortes marcados na pele “por amor”. Tanto desejo que ecoou dentro de todas as quatro paredes existentes por uma eternidade que nunca foi concretizada, e outros tantos desejos que contaram tantas vezes ao vento lá fora que partiu sem querer saber. O vocábulo "Amor" escrito e desenhado em muros negros. Mundos inteiros vividos na pressa do Amor nunca encontrado, ou na ilusão de que aquele seria o tal. Ilusão de um final feliz que finda com uma desilusão que lhes destrói a alma que nunca se volta a curar. O tempo não apaga memórias, muito menos extingue feridas. O tempo diminui a dor e a inquietação que estas impõem à vivência, mas é sempre bom ter em consciência que qualquer fogo pode atear de novo a ferida que nunca morre só adormece. Então, depois de um caminho controverso cheio de quedas imparáveis, cujo destino é controlado pela mente que trabalha fatigada, talvez com as filosofias e moralidades já um pouco trocadas, de que vale querer viver do Amor que tanto nos assassina? Perdoem-me quando na minha inocência pretérita via horas iguais e de dedos cruzados pedia um “amor eterno”; hoje não é que não acredite no amor, mas sei que não estou preparada para entregar os meus telhados que infelizmente são de vidro e permitir que alguém os parta. Por isso, que desta vez adormeça o amor que eu prefiro viver na verdade e na dor que somente eu causo. Para o resto, se houver futuro….há tempo!

Sem comentários: