can't forget you

O que faço quando te fecho a porta da minha vida, mas tu continuas no meu órgão cardíaco? Quando avançar com a minha vida se torna inaceitável porque sinto que já me chega conhecer-te a ti? A loucura a correr por todo o meu corpo, a minha pele a pedir por outra pele, a racionalidade que cessa a emoção…onde ficou tudo o que era quando te conheci? O “jogo da atracção” que sempre foi o meu entretenimento preferido e hoje não me motiva. São feridas e marcas do pretérito que continuam tão presentes como tu não estás…Talvez ainda te sinta em mim porque quando te proferi que devias ir embora a minha vontade era totalmente o contrário. As noites em branco em que o maior pesadelo já era passado de dia quando mesmo ao meu lado, estávamos tão longe. Nunca te desejei a mais de um milímetro de mim. Nunca desejei que fosse outro toque que fizesse fogo no meu corpo. Nunca desejei tantas perguntas que ficaram sem resposta e que até mesmo a mim me põem constantemente louca. Talvez também nunca tenha mostrado que te desejava da mesma maneira que me desejavas a mim, mas se isso foi um problema, devias ter-me conhecido melhor. A mim e ao meu telhado de vidro…que eu própria parti para que não pudesses ser tu a fazê-lo. 

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Toda a escuridão com que lidei e todas as feridas que suporto tornaram-me segura de mim, e felizmente, com muito amor-próprio. Reconheço os meus valores, os meus princípios, o que me torna independente ao ponto de não aceitar estar com alguém que não mereça tudo o que consigo ser. 
Tenho a certeza que também ambicionas grandes feitos na tua vida, que também te esforças por conseguir o melhor, mas às vezes chego à conclusão que afinal nunca te conheci...Entre dois corpos movidos a prazer sempre esteve só isso, ou a minha amizade era algo que tinhas acima de tudo? Enquanto exploravas cada pedaço da minha pele sempre foi com o objectivo de tocares mais um corpo, ou querias conhecer cada objectivo e cada detalhe da minha vida? Será que me conheces melhor do que conheces o meu corpo? Será que te conheço melhor do que conheço cada traço desde os teus pés ao teu rosto? Quando penso que sempre te conheci percebo que nunca soube o que te motivava e movia neste Mundo...Afinal a cama sempre esteve vazia, porque corpos, só corpos, não preenchem nada. Esta é a realidade que não pode ser tornada romântica, mas sim aceite independentemente do chão ceder, os telhados partirem, e nada mais fazer sentido. Tu és a minha ferida sarada que nunca fecha por completo. És uma dor que me fatiga e que não quero mais transportar às minhas costas. Não passas de um sentimento mal definido que me consome alma e espírito, pelo que na minha vida não tens espaço. Estou a desistir de tudo. Da tua amizade, do teu corpo, mas principalmente de ti. As memórias ficarão sempre por mais que peça ao vento que as leve, a felicidade que senti a teu lado nunca esquecerei, por muito que adormeça a tentar não me lembrar no dia seguinte. Mas tu não mereces a pessoa enorme que eu sou. Não estás preparado para mim, por muito que tivesse a aprender contigo.
Abro-te a porta e despeço-me com um “Até já” sabendo que é um “Até Sempre”, não é o primeiro mas com certeza será o último. Camas cheias de vazio não faltam, o que falta é mais amor. 

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Após tanto tempo a julgar que eu era suficiente, de tantas guerras para não reconhecer o teu perfume no meio de uma enorme multidão, ver-te surge como a ferida sarada que volta a assombrar as minhas noites de sonhos. Desejar cada pedaço da tua pele colado a cada pedaço da minha alma nunca foi desejar muito. Nunca foi esforçado o contentamento por poder sorrir entre os teus beijos ou até o singelo agrado de te ter presente na minha vida. Foste a luz que mais iluminou a minha vida e a estrela que mais me acompanhou nas madrugadas, e no momento em que decidi convidar-te a partir só restou escuridão - um céu negro que esconde todas as estrelas e que não conhece o luar; um pretérito que nunca conseguiu ser mais-que-perfeito; um laço que nunca conseguiu vencer os impedimentos e as lutas da vida.
Com tanta desilusão sofrida aprendi a encontrar sinais onde eles não existem, e sei que até ao fim dos meus dias nunca saberei se tu querias mesmo ir embora do nosso abrigo. Foi uma escolha da qual não me arrependo mas com a qual tenho de viver como se cada dor não fosse mais um cânone deste caminho que tenho a percorrer. A carne nunca foi fraca e o coração muito menos, a saudade é que sempre foi maior que este e outro mundo. Sempre fomos e seguimos caminhos tão diferentes, mas talvez seja o orgulho aquilo que nos liga…o mesmo que faz com que nunca possamos ser aquilo que outrora fomos por muito que a vontade até fosse recíproca. Sei que era preciso suor, lágrimas e sangue para que te aceitasse na minha vida outra vez, para que te desse a oportunidade de me puderes quebrar em pedaços de novo, mas também sei que nunca terias coragem para voltar. Um dia esta ferida vai cicatrizar novamente. O céu vai abrir e resplandecer beleza e alegria por todos os cantos da Terra.   Nesse dia, eu aprendi pela segunda vez a viver sem ti. Até virar outra esquina, ver o teu sorriso e a ferida abrir outra vez….