É. O amor tende a crescer assim. De forma tão descontrolada e ingénua. Onde os raios de sol lhe dão alento, e as gotas de água que caem do céu não conseguem apagar a vela do amor. Na verdade, nada a consegue apagar. Porque o amor é para sempre. Não pinta castelos nem “viveram felizes para sempre” como nos contos, mas não deixa de ser amor para a eternidade. Às vezes também ele escurece. A vida também lhe apaga as luzes para ver se tem ritmo para os problemas da vida, mas amor que é amor, saber-se-á guiar com a sua velinha. E há sofrimento. Muitas batalhas que travamos por amar, e outras tantas que lutamos para ficar. Porque é doce. Outras vezes desistimos de segundos planos para esperarmos o nosso grande amor. Porque faz parte. E deixamos de ser “eu”, para passarmos a ser “nós”. Porque nos faz feliz. Decoramos a vida com o nosso amor, e tornamo-nos oxigénio um do outro. Nas más alturas, agarramos no lápis vermelho e reviramos o preto para encarnado. Da cor do nosso sangue. Da cor do nosso coração. Da cor do nosso amor. E ficamos para amar. Independentemente do rumo que a vida tomar, continuamos a amar. A amar aquele. Aquele que foi o único a conseguir fazer-nos sentir de mulheres, não de princesas. Porque os altos e baixos fazem parte, e nos só daríamos tudo por um.  Só um seria para a vida, e só esse mesmo ficaria com metade de nós. E porque no amor não há palavras, amar é grandiosamente o melhor do ser humano. Porque não sabe descrever como foi, mas sabe quem somos. E sabe esperar. Sabe crescer. Sabe a eternidade de cor e salteado. Sabe a forma de todas as nuvens do céu. Sabe a intensidade do sol. Mas nunca. Nunca. Sabe abandonar.

Sinto-me nua. Despida de sentimentos. De caras com a realidade, encaro o mundo que sempre temi encontrar. Encontro falta de amor escondida em palavras meigas que foram proferidas, gestos inigualáveis por detrás de acções mal interpretadas. Sujeitos que não cumpriram com o predicado, tempo que não passou de mais tempo. Ruas deixadas sem dó, corpos ao vento sem piedade. Rostos sombrios. Cujos olhos reflectem dor, e cujos lábios não têm forma explicável. Almas desamparadas. Corações partidos. Vagueiam por aí, numa paisagem enegrecida, onde se vive de infelicidade. Num mundo paralelo ao amor, encontra-se a falta dele. Onde as estrelas não fazem parte da noite, e a lua nunca está presente. Ao amanhecer, o sol esconde-se por entre as nuvens cinzentas, e o nevoeiro paira sobre tal atmosfera. Ninguém se conhece. Ninguém se ajuda. E vai corroendo. A cada dia a dor aumenta, e nada é capaz de a calar. A vida acaba quando começa a sobrevivência. E ninguém entende a dor presente no olhar, que é desviada pelos vocábulos que mentem. A força desvanece. Sorrir está tão longe, e nós sentimo-nos nus. Sentimo-nos despidos por dentro. No interior. Onde nada é capaz de chegar. Onde nada é capaz de nos fazer sentir bem.

Houve tempestades. Choveu muito. O dia permaneceu a preto e branco num ciclo interminável. Sem luzes para me iluminarem o caminho, tropecei muita vez nos meus próprios pés, caí no chão de todas as formas imagináveis. O meu rosto quis trocar muita vez o meu sorriso por lágrimas, mas temos que ser fortes. Foram muitos os vocábulos que se perderam no temporal, muitas as feridas que me reencontraram de novo. Não tive céu para me guiar, ou até estrelas cintilantes para me transmitirem força. Deixo nestas linhas um pouco da tristeza que me consome, e sorrio ao saber que já passou. A vida é imprevisível. E realmente deixar que o destino chegue até nós não é uma boa maneira de se ser feliz. Há que expirar todos os medos para fora do nosso corpo. Não ter medo de arriscar. Lutar por amor. Escrever por amor. Viver por amor. O amor é tudo. É as entrelinhas das frases sem sentido. A chávena do café. O doce do amargo. A lua do céu. O vermelho dos corações. Os detalhes do simples. A mágoa das incertezas. O amor é oxigénio. Oxigénio daquele que quando falta, não pára o coração, mata a alma. Mata-nos sem piedade. Mas continuamos vivos. A sobreviver a um mundo que nos maltrata como se os sentimentos fossem o constante do vento. Como se eles fossem e viessem quando assim desejávamos. Mas não. O amor está em todo o lugar, porque o amor é constante. Viramos a esquina e lá está ele. Às vezes mais forte. Outras vezes mais fraco. Umas vezes num familiar. Outras vezes num amigo. E quando as ruas se prologam, a vela do amor continua acesa. O amor espera por nós. O amor faz-nos viver. E nos vivemos para ele. Mesmo quando isso parece a maior burrice do mundo, aprendemos que essa é a maior verdade do ser humano.

p.s- eu sei que sou uma chata, mas gosto muito de saber a vossa opinião. Não se esqueçam da sondagem (: