Não sei por onde começar. Por onde é suposto começar quando te queria dizer tudo aquilo que nunca te disse e que hoje só me sabe destruir? Sempre me fiz de forte. Mas sabes, a verdade é que nunca o fui quando eras tu em questão. Sempre achei que eras só mais um e que nunca me conseguirias apaixonar pela vida, mas até então nunca fui tão feliz como numa semana a teu lado. Sei que o mesmo não podes dizer de mim, sei que sempre me portei mal contigo, sempre achei que eu comandava a vida, o sonho, o amor, e qualquer atitude ou palavra que tivesses sobre como eu poderia gostar de ti implicava eu mostrar-te que na minha vida só haveria sempre espaço para mim. E foi por isso que te expulsei da minha vida sem ter qualquer ideia do quanto gostava de ti, mas sabendo enormemente a dor que carregava a meu peito por não te ter comigo a todos os instantes. E agarrei nessa dor e tornei-me mais forte. Não sei se foram dias, noites ou madrugadas a esperar que fosse tudo um sonho e em que acabei por fazer do ginásio a minha terapia. Superei tudo e tornei-me tua amiga de novo. Renasci e sustentei-me sempre na ideia de que nunca mais estaria contigo, porque queria que o que acabasse na minha vida acabasse de vez. Até que decidi que não precisava de ti na minha vida. Não queria que fizesses parte dela. Expulsei-te com a minha melhor arma: o silêncio. E tu, silenciosamente, foste saindo. Aprendi a conviver diariamente contigo sem te oferecer mais que um “Bom dia” ou um “Até amanhã”. Até me esquecer de ti. Ou pelo menos, não me lembrar. E resultou. Era com alegria que seguia os meus dias com uma ferida na alma que não sangrava mais. Só que após três meses sem te ver, encontrei-te numa coincidência da vida. Encontrei-te em várias coincidências da vida, e percebi que nunca encontrei ninguém como tu. Entendi que eu, a pessoa mais fria que conheço, só queria uma oportunidade para saber o que resultaria se desta vez não fosse sempre eu em primeiro lugar. Afinal de contas, o que me fez expulsar da minha vida alguém que só por estar a meu lado me tornava tão feliz? A ferida voltou a sangrar. A alma voltou a lacrimejar. Tudo voltou ao mesmo, excepto tu, que já encontraste o amor da tua vida. E o que mais me custa, é que eu tenho medo de nunca encontrar alguém que me apaixone mais pela vida do que tu. Pela primeira vez eu escrevo e sublinho, tenho um medo e tenho um espaço no coração por preencher, e tu já tens o teu preenchido. Mais de um ano depois, continuo sentada entre as minhas quatro paredes a escrever enquanto respiro entre choros e respirações contidas sobre tudo aquilo que não chegámos a ser. Se pudesse trocava tudo para poder tentar de novo. Trocava os corpos que conheci a seguir ao teu, trocava os beijos que nunca me souberam tirar a respiração como o teu, voltava atrás até ao primeiro dia em que te conheci e em que ainda julgavas que o amor da tua vida estava a teu lado e era outro. Esta é uma ferida que vou levar para toda a vida. Espero encontrar alguém que me faça tão feliz como tu fazias só por sorrir nos meus olhos. Espero encontrar alguém como tu. E espero, mas espero mesmo, que sejas feliz. Afinal “o tarde demais” existe. Este é o nosso.

O pretérito ainda chama por mim...

"Não, não me apaixonei assim que te vi. Não, não fiquei irracional após o primeiro beijo. Não, não quis namorar contigo depois de uns quantos excelentes encontros com uns quantos excelentes carinhos. Mas quis a tua companhia assim que ouvi a tua voz pela primeira vez ao telemóvel, quis a tua amizade assim que me fizeste rir até chorar na primeira vez que fui a tua casa, quis mais noites depois daquela primeira noite."

para amanhã: Feliz Aniversário


Mais um ano. Acrescenta um número, mas à vida, não acrescenta nada. Como foi esta etapa com momentos tão importantes? Foste feliz? És feliz? Quero que me contes. Desde os pormenores mais sentidos às grandiosidades mais insignificantes…Quero que me contes todo este ano em que decidi deixar-te por mera racionalidade de quem não sabe o que é e tem dúvidas sobre o que quer ser. Lembras-te do meu sorriso no teu sorriso? Nunca te disse, mas sempre me soube melhor que o meu sorriso na tua ausência. E da minha pele na tua pele? E do querer sempre o melhor para ti quando o que nunca quis para mim foi emoção a comandar a racionalidade? Mas há ideias e ideais que não alteram, e querer alguém continua a não ser um objectivo. Sempre disse que não estava pronta para entregar as minhas fragilidades a alguém que as pudesse atirar ao mar. Sempre quis viver o dia como se fosse o último. Ser livre. Possuir asas para voar sempre que quiser, partir sem caminho de ida nem volta e não ter ninguém à espera ou para dar justificações. E é por isto que nunca conseguiria “ser” nada contigo. Ser tua amiga seria sempre muito menos do que aquilo que poderíamos ser, e ser mais que tua amiga seria sempre algo para o qual não estava preparada…entregar-te toda a minha vida e saber que a podias enegrecer de um momento para o outro, e ter de viver sempre como se nunca o fosses fazer… Não adianta arranjar outro “vamos ser” porque eu gosto demasiado de ti para banalizar o que quer que seja. Sempre me preocupei contigo, e mesmo que não saibas, eu estive sempre aqui para ti. Lembras-te quando a água caía sobre os nossos corpos despidos de preconceitos e te rias abraçado a mim? Sempre me senti segura. E lembras-te do beijinho na testa? Sempre foi o que mais me custou. Não custou por simbolizar o fim, mas por o fim ser o que eu menos queria e ali, mesmo à minha frente, ter a prova que também não era o que procuravas. Mas chega de vocábulos para tentar dizer o porquê de te ter perdido da minha caminhada, (ou de me ter ido embora da tua), chega de recordar memórias que nunca serão mais que lembranças cravada numa pele amargurada que não esquece, chega de proferir um pretérito que nunca será presente ou destino. Mais um ano. Era isto que te queria transmitir. Um ano que seja o melhor dos melhores, que a tua vida transborde de amor, felicidade e sucesso. Que aproveites o último dos “-teen” com uma dose infinda de loucura e que só te arrependas do que não faças. Eu vou continuar a quinze minutos de ti, e nesses quinze minutos, será sempre como se estivesse no pólo oposto do Mundo. Ainda assim, acredita que vou torcer por ti em todos os segundos, mesmo naqueles em que tudo o que pense não tenha o teu nome, ou naqueles em que estarei deitada numa cama que não a tua. O que acaba, acaba para sempre…e ainda que não estejas na minha vida, levar-te-ei sempre comigo. Desejo-te tudo aquilo que desejo para mim. Sê muito muito feliz, porque apesar de tudo, tu mereces. Perdoa-me tudo.

“Parabéns  ****! Beijinhos”