Doente de amor...


Deixei de me esconder nos vocábulos que me refletem porque deixei de ter medo. Faleceu o medo de sentir mais ou o medo de sentir o difícil e o quase proibido. E por consequência, passei a viver mais. Ou a viver menos. A viver menos escuridão, a viver menos dúvidas e incertezas, e a viver mais certezas, mais amor, mais a melodia que o destino deixa acontecer na minha vida. Não sei ao certo a que ponto conduzi a minha vida e a que ponto deixei que a conduzissem, mas a sensação que me percorre o corpo é indiscutivelmente tão boa que é-me impossível arrepender de algum erro que hoje se tenha traduzido em conhecimento. Encontrei a paz no amor de alguém que vive de guerras e a única guerra que me disponho a batalhar é a de nunca o deixar mudar de alma, mudar de sítio, mudar de amor e mudar de mim. Sou abrigo, sou chão, sou céu, sou lua até, porque o amor faz-nos ser tudo o que existe, esquecendo os limites e o impossível que depressa entendemos ser possível. O Amor é um estado de delírio porque amar é a maior loucura para o Homem, um estado que nos deixa enriquecidos de doçura e nos acalenta de tal modo que todos os caminhos e todas as respostas se resumem ao que nos percorre o sangue no momento, que em força grita à nossa alma e nos manipula a mente tão facilmente que acabamos sempre por perceber qual é a nossa doença: amor. Mas eu prefiro falecer de amor, que pelo contrário, de uma doença qualquer que o médico me diagnostica, tão danada de si mesma que me pode tornar cega de mim mesma, perdendo o sentido, a memória, ou quem na realidade sou, porque naquele momento está em mim um parasita que a todo o momento me tira uma dose de mim mesma, não ma devolvendo, nem que seja já com um pouco de si. Então hoje aceito estar doente. Aceito que estou doente porque reside em mim uma força maior que aquela que é passível de ser controlada, aceito que estou doente porque é loucura, é loucura amar tanto alguém assim, é loucura viver tão intensamente cada momento, é loucura saber alguém de cor como te sei, é loucura não ter mais medo de mim nem dos vocábulos que me são, não ter mais medo dos vocábulos que movem mundos e marés porque tu estás a meu lado, a chamar por mim como quem faz uma doce serenata de amor, tão romântica que parece que o mundo despovoou e somos só nós agora, porque dentro de algum tempo temos viagem marcada ao céu. (Como se te adiantasse que vai ser de sonhos). Aceito que estou embriagada de nós, e mais ainda, aceito que és a melhor doença deste mundo. Nunca te cures. Nem nunca me deixes curar. 


Espero por ti porque acho que podes ser o homem da minha vida. E espero por ti porque sei esperar, porque nos genes ou na aprendizagem da sabedoria mais íntima e preciosa, há uma voz firme e incessante que me pede para esperar por ti. E eu gosto de ouvir essa voz a embalar-me de noite antes de, tantas e tantas vezes, te encontrar nos meus sonhos, e a acalentar-me de manhã, quando um novo dia chega e me faz pensar o quão longa e inglória pode ser a minha espera.

 - Margarida Rebelo Pinto

don't forget me



Parece que uma parte de mim faleceu, que deixei acidentalmente de contar com a tua força, com a ajuda que sempre disse que me transmitias por telepatia. E perdi-me, perdi-me sem a tua ajuda para caminhar, ou será que só entrei no meu destino e só eu o posso percorrer? Ou deixaste-me porque sentiste que já estava pronta para caminhar sem ti no meu psíquico? Estou entre uma maré de porquês quando eu própria sou o maior ponto de interrogação. Por um momento tenho a certeza que fui eu mesma que conduzi a minha própria vida até aqui, mas não sei, houve um segundo de vida que perdi e que me mudou as certezas e os acertos que lhe tinha feito. Sei agora que não me consigo encontrar. Não consigo encontrar as minhas emoções no meu órgão cardíaco, ou não as consigo sentir. Não consigo chegar ao céu, não consigo sussurrar os meus medos à lua, não consigo, sinto só impotência e estou embriagada de qualquer substância que a vida me deu, que pelo menos por agora não sei como lhe chamar. Passei quatro meses com um único desejo: o futuro. E precisamente no dia em que fez quatro meses, algo brilhou no meu céu, encadeou-me e virou-me a vida ao contrário. O futuro virou desejo esquecido e o presente tornou-se em prosas que a minha alma ambiciona ler. Esperanças alimentam-me os dias quando tudo desapareceu da minha rotina, ou quando eu própria me afastei um pouco e deixei todos aqueles que a habitam a questionarem-se do meu abrigo. Não sei onde estou, o meu contrato é viver o presente da forma que este se desenrolar, os meus crimes pretéritos são crimes que só eu sei, as minhas batalhas fracassadas são hoje vitórias, não te vou deixar por muito que não te consiga sentir após alguém ter feito magia comigo depois de ti. Peço só que me encontres porque não te quero deixar ir, aconteça o que acontecer, seja o meu presente o nosso futuro sonhado, apenas sem ti como papel principal.