E é neste preciso momento em que me questiono do porquê de te ter deixado ir. De não te ter seguido em todos os passos, de não te ter feito ver a minha realidade. Talvez fossemos alguma coisa neste presente absurdo em que me encontro, talvez estivesse neste instante a proferir-te vocábulos que queria também poder escrever-te, mas que não me é autorizado pela autenticidade. Custa ver-te sorrir sabendo que o motivo não é mais a minha pessoa, custa ver-te feliz sem estar do teu lado. E é uma batalha pela qual já lutei tantas vezes…e perdi sempre. Como te perdi a ti, como perdi os teus rastos da minha vida, como perdi o teu encanto do meu céu, e como perdi o teu calor nos dias em que o frio me preenche o coração. Como perdi também a tua confiança, talvez. Precisava de um consolo, de algo que me ajudasse a encontrar salvação para isto, para esta situação que não consigo controlar, para algo que se perdeu entre nós em poucos segundos. Eu sei que não é impossível, mas já nada nos sorri. Nada me dá a mão como em tempos ma dês-te e diz que me vai salvar do poço fundo em que me encontro, nada me parece como tu, nada és tu. Fico a pensar se vale a pena morrer a pensar nisto, ou se deveria antes morrer à tua procura. Mas morrer à procura de nós, à procura daquilo que fomos, à procura do ontem, não do hoje. Porque eu sei que se não o fizer, o amanhã vai ser como o hoje, e isso significa que tu não vais estar ao pé de mim, que tu vais continuar a ser sujeito preso ao meu pretérito, individuo quase que como desconhecido, e que continuarás perdido de mim. E eu não quero isso. Ai, se pudesse eu voltar ao ontem e mudar-te o hoje. Nunca te teria deixado ir, nunca te teria mandado ir para longe de mim. Nunca te teria deixado. Nunca.
Nem faço muita questão que as pessoas me conheçam a fundo. Tem gente que não merece o nosso coração aberto. Certas pessoas não precisam conhecer nossa alma. Porque elas nem vão saber o que fazer com tanta informação. Tem gente ruim no mundo, já me convenci disso. Espero que você entenda isso também. E que não sofra tanto ao constatar que nem todo mundo quer o seu bem. Algumas pessoas sentem prazer em perturbar os outros. O que ganham em troca? Não sei. E nem quero descobrir. 
Clarissa Corrêa

o   v e n t o   p a s s o u   e n t r e    n    ó    s   . . .