O quão bom era acordar e ver-te do meu lado. Acordar e saber que estavas a meu lado para o bem e para o mal, para os obstáculos que tivéssemos passado e que ainda iríamos passar. Para chorar e para rir, para me proteger e para me agredires de amor. Para me dizeres o bem que te fazia, e para me dizeres o quão ficavas embriagado de mim, acompanhado com isto que sentia. O quão bom era estar em sonhos cor-de-rosa contigo, e vivê-lo. O quão bom era estar do teu lado. Seres o sol e iluminares-me o caminho, ser o solo e ver o tão belo reflexo do mundo. Seres o mortal, e prometeres-me o imortal. Significares o possível, mas alcançares o impossível. O quão bom era esse sorriso a meu lado, que me ponha em mundos de fantasia onde era levada pelo vento. O quão bom eram esses olhares que me fazia lembrar que tinha coração, e por vezes parecia que até ele te queria abraçar com a maneira de bater. Era entrar no teu mundo e ficar lá escondida num porto de abrigo, no qual estava feliz e podia entrar e sair quando quisesse. O quão bom era amar, e ser amada pelos que amavamos. O quão bom era pensar que tudo era para sempre. Pensar que a eternidade viesse com a imortalidade que transmitias. Mas nada é para sempre, e lamento-te dizer, que nós não somos o nada. O quão bom era não ter saudades do teu mundo, vontade desse sorriso, desejos desse olhar, ambições desse coração, dar tudo para te ter ao pé de mim, e finalmente ser tu, num simples nós. Tu consomes-me, as memórias matam-me.
Esta saudade entre tantos nós, que nem avança nem atrasa. Que não se cura, nem se abstraí, que não tem virgulas e muito menos final. Esta saudade que é mortal, e que aos poucos e poucos se vai alimentado com as minhas acções e com os meus sentimentos. Esta saudade que divide o mínimo ao máximo, e o detestável ao amável. Esta saudade que está sempre entre o bom e o mau, entre a vida e a morte. Esta saudade que faz o fraco de forte, e o forte de fraco. Esta saudade, consequência de uma possível distância. Separação de dois ou mais corpos, não aceite nem compreendida. Mas sim. Separação de corpos. Não de corações e almas.
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Já não posso tentar controlar de todas as formas e maneiras o nosso pequeno mundo. Os pequenos pormenores escorregam-me e fogem-me das mãos como nunca aconteceu. Cada carta escapada reduz-nos os dias e afectam-me no sorriso. Sempre tive tudo controlado demais. Aprendi a viver assim e sempre me questionei como alguém conseguia viver com a sorte dos seus dias. Para mim, a felicidade não é algo tão simples e sem complexidade nenhuma que possa ser um dado atirado ao ar. Talvez tenha de o aprender. Talvez tenha de espalhar as cartas e deixar que o tempo as escolha.
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