Como é que cheguei a este lugar? Onde é que ficou a mulher independente que comandava a vida e os sonhos? Desde quando é que ter alguém para partilhar os desgostos e felicidades se tornou em algo tão importante? Não me reconheço…desde que te conheci. Desde que as crianças começaram a criar interesse, desde que os detalhes do que não é dito começaram a fazer mais sentido do que aquilo que é proferido, desde que me tornei tão emocional.

Acho que quis demasiado que fosses o amor da minha vida, quando tu nem a certeza tiveste de me querer na tua vida. Mentiria se dissesse que não é incompreensível, mas também me ensinaste que nem sempre vai ser perceptível ou aceitável, vou ter sempre de aprender a viver com as dúvidas. Mentiria se dissesse que não me magoaste…Como teria sido possível não ter ficado destroçada e com a alma estilhaçada quando um amigo que queria a meu lado para sempre me trata como se eu fosse alguém no mundo igual a todos os outros que respiram lá fora? Foi difícil. Mentiria se dissesse o contrário.

Confiar na vida e acreditar que ela reserva algo mais. Confiar na vida e acreditar que aquilo que desejo vai chegar, e que ao seu tempo os meus telhados deixam de ser de vidro, tornando-me novamente no tornado que leva tudo à frente, na rosa com espinhos, e no luar que não precisou de estrelas para ser o mais bonito.

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