Às vezes é o motivo de tudo existir que desaparece, quando devia ser eu a desaparecer. A fugir para não me esquecer do porquê de ter começado. Um tempo só meu para não me perder daquilo que quero, conseguindo pôr tudo no seu lugar. Mas a verdade é, vivemos para quê? E é nesse momento, quando profiro tais perguntas a rabiscos pretos e sem alma, que sei que estou desiludida. Desiludida com tudo o que a vida me pode dar…até mesmo depois do meu maior esforço para o alcançar. Desiludida por ter feito tudo diferente e acabar com a mesma meta de sempre. Desiludida com o que acontece, e desiludida com o que posso chegar a não conseguir por me ter preocupado mais com o órgão cardíaco do que com o que realmente devia. E é desta que desisto, ou é desta que desistem por mim? Fui tornando os meus telhados de pedra que tanto tempo levaram a construir em telhados de vidro, mas sei que vou conseguir ultrapassar isto facilmente. Sei que a dor é de não saber. Sempre arrisquei na verdade. Sempre prometi a verdade. E foi sempre só isso que pedi…a verdade. Mas o que me dão sempre é o “não saber”. Por isso, vou pegar nas forças de que sou feita e concentrar-me em mim. O que acabar acaba, porque o valor que quem me tem ganha não existe por aí em abundância. Quem não conseguir lidar comigo, não merece fazer parte da minha vida.

Sem comentários: