Estive sempre errada. Nunca foste tu o único capaz de me fazer sorrir só por estar a meu lado, tu apenas soubeste quebrar todas as minhas barreiras de protecção para que eu te deixasse viver no meu mundo. Permitiste-me abandonar toda a solidão com que eu sempre gostei de viver. Conseguiste-me tornar menos dependente de mim, e mais que isso, conquistaste um lugar na minha vida. Mas nunca foi de ti que, especificamente, sempre precisei. Nunca foste tu o único a saber como me tirar o sabor amargo e a frieza e a transformá-los em formas e cores que nunca acreditei existirem. Ou melhor, que nunca acreditei que valesse a pena viver por eles. Era apenas de uma pessoa que me fizesse sentir como tu me fazias sentir que eu precisava. A vontade incontrolável de acordar de manhã e o pesadelo incontornável de ter de me deitar à noite. Às vezes só queria o tempo todo do mundo para estar a teu lado. Olhar nos teus olhos e sorrir no teu sorriso e parecia que o tempo nem tempo era, visto que sempre que chegava ao fim do dia ainda havia tanto para vivermos. Sentir que sentias que me tinhas para tudo. Mas enganei-me. Enganei-me quando pensei que nunca conseguiria sentir-me tão feliz ao lado de outra pessoa, enganei-me quanto pensei que nunca iria encontrar ninguém como tu. E enganei-me por que quando te fechei a porta da minha vida e me agarrei de novo à solidão, senti falta do que trazias à minha existência, e achei que só tu mo conseguirias dar. Agora, distante de toda essa realidade, consigo perceber que tu nunca conseguiste oferecer-me algo que movesse tanto mundos e marés como eu pensava. Conseguiste-me fazer sorrir de uma maneira tão bonita que apaixonava todo o indivíduo que visse, mas nunca me conseguiste arrepiar tão fogosamente que nem na alma nem nos ossos parasse de o sentir. Nunca consegui encontrar ninguém igual a ti, mas encontrei alguém que me fez conhecer tantos e mais sabores que tu. Tu nunca foste o “tal”. Estive sempre errada. 

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