É isto que sou. As voltas que a
vida deu e que nunca souberam. Os dias em que o meu engenho gritava e os
superava junto a vocês com um sorriso do tamanho do mundo. A dor que sentia e
que nunca deram conta. As noites em claro que passavam em escuro. Alguém atrás
da máscara em que me vêem. Alguém que venceu todas as batalhas sozinha. Alguém
a quem, infelizmente, nunca se deram ao trabalho de transmitir confiança para a
partilha de pormenores e emoções da vida. Não há controlo no destino, naquilo
em que outrem se transforma. Custa saber que não me conhecem como eu gostava
que me conhecessem, como custa saber que não me podem ajudar a lidar com todas
as transformações que acontecem dentro de mim. Custa saber que me deram o vosso
melhor em todos os sentidos excepto no que me vale mais: na compreensão. Todos
os erros, eu aceito-os com carinho porque somos todos sujeitos imperfeitos
agarrados ao amor que nutrimos pelos outros. Amor que nos faz errar na medida
excessiva como os queremos proteger, como os queremos ter para nós, como os
queremos ter como perfeitos sem qualquer defeito que nos acalenta menos e nos
exalta um pouco mais. E também sou isto. Um turbilhão de falhas inexequíveis de
serem controladas, a ansiedade do querer, o stress
do ser, a fatalidade dos vocábulos descontrolados que são ditos na hora, a arreliação
que enlouquece, o querer o amanhã nas minhas mãos. Sou os meus dias maus que
não aceitam. Os meus resultados mais baixos que me oferecem frustração e onde não
recebo apoio incondicional. Sou os meus ideais demasiado controversos para os
que queriam que fossem. Sou uma incógnita
que não conseguem desvendar mas que julgam já estar dissipada. Sou a felicidade
que não sabem existir em mim e as verdades cruas que me acanham. Sou o medo que
escondo. A ausência de algo que nunca souberam já ter existido na minha vida. Sou
o que isto é. E que vocês não sabem que sou.

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