fatalidade


Dedico-te estas letras negras com um desejo incessante de te expulsar da minha vida. A dor percorre-me o corpo insaciavelmente sem nunca encontrar um pedaço de ti. Ainda não consegui entender se fui eu a fechar-te a porta do meu órgão cardíaco ou se foste tu que saíste e bateste com ela como se o ódio te alimentasse. Mas sinceramente, hoje tanto me faz. É me imparcial saber quem quis fugir ao mundo que inconscientemente construíamos porque me consegui encontrar. Eu que andava perdida encontrei-me nas falhas de alguém que não tenho bem a certeza se sabe de si. Encontrei-me nas mentiras e abandonos porque em momentos vivi na mesma escuridão que em outrora mais me atormentou e sacrificou. Se hoje brinco com a dor, tudo devo a quem me fez conhecê-la. E agradeço, porque aquilo que mais gosto em mim é a minha forma de lidar e travar as batalhas e o sofrimento. Se há coisa que mais gosto de causar é dor a quem me quis tramar os sonhos. Se havia algo perdido de mim e que voltei a recuperar foi aquilo que mais me definia e não tenho vocábulos para agradecer isso. Aprendi que apesar de tudo, e mesmo com todos os segundos que me fizestes feliz, não há nada melhor que estas letras negras e vazias que tenho para ti e que me tornaram em tudo aquilo que eu quis ser. O tempo é insignificante. Uma hora é facilmente um mês como um ano pode ser ainda mais facilmente um dia. Nós somos os únicos capazes de dar sentidos às coisas, porque as coisas sem nós, nunca passam de coisas. Apaixonar-me foi uma escolha, e não me importa que tenha sido a errada mas, foi a que escolhi. Foi um crime e já cumpri pena de prisão, hoje estou em condicional e amanhã seduzir-te-ei até atrás das grades. Foste tu mesmo que disseste que eu costumava ter o que queria. Por isso, peço-te que não te arrependas quando estiveres fechado entre quatro paredes com os meus vocábulos amargos a impedirem-te de ser feliz, porque bastará a agonia que te sufocará sussurrando-te que jamais se esquece um amor com outro.

2 comentários:

Inês Santos disse...

O texto está tão, mas tão bem escrito *.*

Inês Santos disse...

Não tens de quê :)