lutar parada


Nutro-te a nostalgia de estar vincada à tua alma. Padece em mim a falta do teu corpo e dos teus vocábulos para me aconchegarem neste mundo frio e escuro. Porquê é que deixaste as trevas atravessarem o nosso caminho? Porque te venceram as dúvidas e a veracidade te derrubou sem restar um único pedaço de mim? Estou desanimada por a tua ausência se ter tornado tão real e por termos caído numa realidade iludida que não resiste ao medo e aos fantasmas que nos assombram. Erámos mais que isto. Erámos, e em mim, continuamos ainda a sê-lo. Acredito ainda que somos capazes de guerrear pela paixão e construir um amor sólido que resista ao desgaste da vida e do tempo, e que não se destrua nunca. Sempre acreditei que somos tudo aquilo que quisermos ser, e que juntos somos capazes de ultrapassar a efemeridade. O fugaz nunca me proferiu amores, nunca prezei mortes já escritas antes do nascimento das mesmas. Nutro-te a luta que em silêncio tento travar, estou preenchida de gritos mudos acerca do que te sinto, que não percorre o teu corpo porque na altura certa a minha voz perde o timbre, e o que continua em ti é o mesmo que permanecia no início. Peço desculpas à minha felicidade por este crime, que se duplica no ponto de vista em que condiciono também a tua. Tenho medo de ser a tua fraqueza, e assusta-me o facto de te deixares levar por marés e mentiras, que nada sabem sobre o que reside no meu órgão cardíaco, mas apenas sobre o que lhes convém. Repito, e repito inúmeras vezes nesta escrita que é sempre dirigida a ti, que através do espelho da minha alma me encontrarás inteira e só tua. Eternamente só tua. Nutro-te de melancolia dum pretérito que não saí de mim, e perco-me nas lembranças que continuam vivas e a pedir por mais. Estou disposta a arriscar por ti. Estou fiel à decisão de ser forte o suficiente por manter-me erguida e distante da subjetividade de cada ser que julga ainda que é arte proferir sobre o que não tem conhecimento. Tudo por ti e para ti. Atrás de toda a tempestade surge um raio de sol e talvez valha a pena manter a esperança de que assim nos acontecerá. Quero reduzir os erros e voltar à autenticidade de ti, de mim, de nós. Quero-te só mais uma vez para nunca mais errar. Não tenho medo do eterno desde que elimine o fugaz que nos aniquila ainda mais rápido do que a chama do fogo que se propaga a velocidade desmedida. És capaz de percorrer este caminho escuro, onde não existem luzes para te guiares, sem atalhos nem caminhos que só te farão perder? És capaz de esperares sem me quereres vingar? Se fores, continuo aqui, e amanhã já estaremos novamente juntos. Gosto de ti. Não esqueças nunca.